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20/10/2019 | domtotal.com

Segredo da boa saúde das crianças japonesas está na merenda escolar

Almoços servidos nas escolas não servem apenas para alimentar as crianças, mas também para educá-las

Mapa da desnutrição infantil no mundo
Mapa da desnutrição infantil no mundo (AFP)

O Japão alcançou excelentes indicadores de nutrição e saúde de suas crianças, que possuem uma incidência muito baixa de obesidade. O segredo está na merenda escolar.

Um informe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicado na última terça-feira (15) coloca o Japão no primeiro lugar em saúde infantil, com baixa taxa de mortalidade e um número muito pequeno de crianças com peso insuficiente.

O país também tem a taxa de obesidade infantil mais baixa entre as 41 nações desenvolvidas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da União Europeia.

Segundo os especialistas, vários fatores entram em jogo, entre eles a atenção particular que os japoneses prestam à saúde, os controles médicos regulares organizados para as crianças e, sobretudo, o papel-chave do almoço escolar.

"Em todas as escolas primárias e na maioria dos colégios do Japão servem-se almoços cujo menu é decidido por nutricionistas", explica Mitsuhiko Hara, pediatra e professor na universidade Tokyo Kasei Gakuin.

Os almoços são obrigatórios, e as marmitas ou sanduíches levados de casa não são permitidos. A maioria deles não é gratuita, mas conta com elevados subsídios.

Cada refeição é preparada para incluir cerca de 600 ou 700 calorias distribuídas de forma equilibrada entre carboidratos, carnes e verduras.

Como exemplo, uma refeição escolar da região de Gunma (centro) inclui arroz, peixe assado, um prato de espinafre e grãos de soja, servidos com sopa de missô com porco, e acompanhados de leite e ameixas.

"O almoço escolar é estudado para fornecer elementos nutricionais que costumam faltar nas refeições consumidas em casa", indica uma representante do Ministério da Educação, Mayumi Ueda.

Comer e aprender a comer

Esses almoços não servem apenas para alimentar as crianças, mas também para educá-las.

"Há um anúncio sonoro diário difundido na escola para explicar os elementos nutritivos incluídos no almoço do dia. É uma boa forma de educar as crianças", segundo Hara.

Nas escolas primárias, os alunos utilizam ímãs com imagens de alimentos que colocam em diferentes categorias em um quadro em branco, aprendendo assim a distinguir, por exemplo, as proteínas dos carboidratos.

"A lei estabelece que o almoço escolar deve ser uma parte integrante da educação", diz Ueda. "Não se trata somente de alimentar: as crianças aprendem também a servir os alimentos e a tirar a mesa".

O governo estuda todos os anos a nutrição e os costumes alimentares e utiliza os resultados desses estudos para adaptar os almoços escolares, acrescenta Ueda.

A prática do almoço escolar remonta no Japão a 1889, quando se distribuíam tigelas de arroz e peixe assado às crianças pobres de Yamagata, no norte do arquipélago.

O programa se ampliou ao resto do país após a Segunda Guerra Mundial, para lutar contra a desnutrição infantil em uma época de grave escassez de alimentos.

"Como muitos japoneses prestam atenção à própria saúde, há um esforço para comer alimentos variados, o que é bom", diz Hara.

"E nos ensinam a comer os produtos da estação, o que também contribui para uma boa saúde. O Japão é um dos raros países que prestam tanta atenção aos alimentos segundo a estação", acrescenta.

Os resultados aparecem com clareza nas estatísticas: o Japão tem uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo, e a porcentagem de crianças de cinco a 19 anos com sobrepeso ou obesos é de 14,42%, muito menor do que na maioria dos países desenvolvidos.


AFP

EMGE

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