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18/10/2019 | domtotal.com

Xis-tudo químico

A massa orgânica que compõe vários tipos de hambúrgueres é uma mistura onde entram também cartilagens, vísceras e membranas

Os cuidados na conservação são às vezes precários, favorecendo a proliferação de bactérias como a Escherichia coli.
Os cuidados na conservação são às vezes precários, favorecendo a proliferação de bactérias como a Escherichia coli. (Pixabay)

Por Fernando Fabbrini*

Eric Schlosser, no seu livro País fast-food fez uma análise inquietante daquilo que se esconde atrás dos hambúrgueres e de quem os fabrica. Há dois aspectos complicados. Primeiro, o humano, referindo-se ao perfil da mão-de-obra quase sempre desqualificada e cheia de riscos. As redes geralmente contratam jovens em regime de subempregos. Essas pessoas trabalham sob condições adversas e o índice de acidentes com mutilações no preparo da carne, por exemplo, é assustador.

Igualmente preocupante é a matéria–prima dos sanduíches. A massa orgânica que compõe vários tipos de hambúrgueres pesquisados por Schlosser em lanchonetes mundo afora é uma mistura onde entram também cartilagens, vísceras e membranas. Para dar sabor e aroma de “carne” ou de “frango” acrescentam-se diversos tipos de flavorizantes químicos.

Os cuidados na conservação – desde quem produz os hambúrgueres ou salsichas passando pelos refrigeradores dos supermercados e chegando ao consumidor - às vezes são precários, favorecendo a proliferação de bactérias como a Escherichia coli. Uma pesquisa em lares norte-americanos revelou que em algumas pias domésticas o índice de microorganismos chega a ser superior ao dos sanitários das mesmas casas.

Agora, mais um motivo para preocupações. Um novo estudo publicado na revista Environmental Health Perspectives verificou os níveis de PFAS presentes nos fast-foods. Trata-se do ácido perfluorooctanóico, produto químico tóxico, componente dos invólucros dos hambúrgueres crus. Das embalagens a substância passa facilmente para os alimentos. Os pesquisadores analisaram o PFAS em amostras de sangue coletadas de mais de 10.000 pessoas de 2003 a 2014.

Cinco tipos de PFAS comumente usados pela indústria alimentícia foram encontrados no sangue de cerca de 70% dos pesquisados. Pior: havia muito mais em pessoas que consumiam fast-food diariamente em comparação àquelas que faziam refeições caseiras. Depois de 24 horas, aqueles que comeram fast-food revelaram um aumento expressivo nos níveis de PFAS no sangue. Ao contrário de outros contaminantes comuns, que são eliminados em poucas horas pelo corpo humano, o PFAS pode demorar anos, o que significa que o consumo regular de fast-food adiciona cada vez mais PFAS ao nosso organismo.

Por outro lado, o consumo frequente de fast-food está há tempos associado à obesidade – sobretudo nos jovens. Era um indicador típico dos países de primeiro mundo, mas vem avançando com a expansão das redes e do hábito. O Brasil já faz parte desse cenário.

A recomendação permanece a mesma: um fast-food de vez em quando não traz muitos riscos. Porém, fazer disso o menu diário vira um problema muito sério.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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