Religião

22/10/2019 | domtotal.com

Após imagens roubadas, grupo denuncia intolerância religiosa em Roma

De acordo com o site oficial Vatican News, estamos diante de "um novo movimento iconoclasta", marcado por preconceito contra os índios

Ao contrário do que divulgaram, a peça foi fabricada para simbolizar a terra fecunda do território amazônico e não era associada a nenhuma divindade indígena
Ao contrário do que divulgaram, a peça foi fabricada para simbolizar a terra fecunda do território amazônico e não era associada a nenhuma divindade indígena (Vincenzo Pinto/AFP)

Mirticeli Medeiros*
Especial para o Dom Total

Cidade do Vaticano – A iniciativa Tenda da Casa Comum, que tem promovido eventos sobre a temática ambiental, paralelos ao Sínodo da Amazônia, foi responsável por distribuir imagens indígenas, colocadas para decorar a Igreja de Santa Maria in Traspontina, nas imediações do Vaticano. Nessa segunda-feira (21), as imagens, estátuas de uma índia grávida, foram roubadas por um grupo não identificado, que as retiraram e as lançaram no Rio Tibre, próximo à paróquia.

Os organizadores da Tenda da Casa Comum divulgaram nota, afirmando terem sido vítimas de incompreensão por parte dos moradores locais. “Lamentamos profundamente e denunciamos que temos sido vítimas de atos de violência que refletem intolerância religiosa, racismo e atitudes vexatórias que afetam os povos indígenas”, diz a nota oficial.

O caso ganhou repercussão internacional por causa de um vídeo publicado nas redes sociais pelos próprios mentores da ação. Após o crime, a vigilância nos arredores da igreja foi reforçada a pedido dos organizadores do Casa Comum.

No texto publicado à imprensa, o grupo também disse ter medo de sofrer outros ataques. Segundo eles, “os atos podem se repetir, gerando outras situações”. E reforçam que todos os eventos da iniciativa foram realizados “de forma pacífica”, o que não justificaria esse tipo de represália.

A imagem, segundo apuração da nossa reportagem, foi esculpida por um artesão do estado do Amazonas. Ao contrário do que divulgaram, a peça foi fabricada para simbolizar a terra fecunda do território amazônico e não era associada a nenhuma divindade indígena. Parte da imprensa italiana e americana as apresentaram como Pacha Mama, a mãe terra segundo a tradição indígena.

Questionado várias vezes pelos jornalistas nos briefings diários sobre os trabalhos do sínodo, o prefeito do dicastério da comunicação, Paolo Ruffini, esclareceu que “as estátuas representam a vida, a terra e a fertilidade” e diz que “o gesto contradiz o espírito de diálogo que deveria animar a todos”.

Conservadores

Na tarde de segunda (21), um grupo americano fez uma manifestação em frente à igreja em apoio ao ato e para protestar contra o Sínodo da Amazônia, que se concluirá em Roma no próximo dia 27. O ato, festejado por muitas pessoas ligadas à ala mais conservadora da Igreja, representa a resistência desses grupos às pautas propostas pelo sínodo, que foca em questões sociais e ambientais.

O editor-chefe do sistema de comunicação do Vaticano, Andrea Tornielli, escreveu um artigo no qual classifica a ação como uma manifestação de intolerância religiosa. “O furto e o lançamento de três estátuas de madeira ligadas à tradição amazônica, que representavam uma mulher grávida, constituem um episódio triste. Diante desse ato violento e intolerante, surpreendem ainda mais as reações ‘a justiça foi feita’, como intitulou um site italiano”, disse o jornalista.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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