Religião

22/10/2019 | domtotal.com

Sínodo sobre a Amazônia chega a momento decisivo

Na última semana, participantes debatem ajustes e sugestões para definir os últimos detalhes do texto conclusivo da assembleia que pode definir orientação da Igreja

'O sínodo girou em torno de três palavras-chaves: natureza, ser humano e o papel da Igreja'
'O sínodo girou em torno de três palavras-chaves: natureza, ser humano e o papel da Igreja' (Mirticeli Medeiros)

Mirticeli Medeiros*
Especial para o Dom Total

Com o esboço do documento final em mãos, os padres sinodais entram na fase conclusiva do Sínodo da Amazônia. Nesta terceira e última semana, serão feitos alguns ajustes no texto, previsto para ser votado e apresentado ao papa no próximo sábado (26). É nessa hora que, mais uma vez, entra o trabalho dos peritos da reunião de bispos, os quais são convocados para garantir que o documento siga um rigor técnico.

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Ao  contrário do que foi divulgado por alguns órgãos de imprensa, nessa fase – como acontece em todo sínodo – não entra o trabalho do relator-geral da assembleia, função assumida pelo cardeal dom Cláudio Hummes. A partir desta quinta-feira (23), tanto o cardeal quando a comissão de redação – formada por padres sinodais nomeados pelo papa e membros eleitos pela assembleia –, avaliarão a construção desse primeiro esboço do texto, redigido com o auxílio de um grupo de especialistas e peritos.

“O sínodo girou em torno de três palavras-chaves: natureza, ser humano e o papel da Igreja. Entramos em temas existenciais e profundos”, disse o presidente do Celam, o peruano dom Miguel Cabrejos.

Compromisso

O bispo também disse que “a ousadia do papa ao convocar esse sínodo” serviu para  “levar o mundo a assumir a responsabilidade de cuidar do meio ambiente”. A assembleia também contou com a participação de cientistas e ambientalistas ao longo de mais de duas semanas de debates. 

Um dos participantes de destaque, que chegou a ser entrevistado pelo Dom Total, foi o climatologista brasileiro Carlos Nobre, prêmio Nobel da Paz em 2007. Na reunião de bispos, o cientista refletiu sobre sobre os efeitos do aquecimento global, tema que lhe conferiu reconhecimento internacional.

Cabrejos afirma que temas ligados às mudanças climáticas, refletidos no espaço acadêmico, também foram bastante repercutidos durante o encontro. “Há uma preocupação do sínodo de pensar na Amazônia e, ao mesmo tempo, as mudanças climáticas. Estamos muito atrasados com o cuidado da casa comum. O que podemos dizer é que queremos participar da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 25), no Chile. Queremos insistir com o compromisso de cuidar da casa comum”, ressaltou.

Fase pós-sinodal

A intenção dos bispos é que tudo o que foi discutido em dois anos de preparação não caia no esquecimento. Por isso, já foi feita a proposta para criação de um órgão permanente que possa garantir a aplicação das diretrizes traçadas pelos padres sinodais.

“Não queremos que o documento sinodal vire documento de biblioteca. Essa fase posterior é a mais importante. Não temos ainda o nome desse organismo, já que não se trata de um conselho. A ideia está clara. Todos as conferências da América Latina e do Caribe são a favor disso”, afirmou.

*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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