Religião

27/10/2019 | domtotal.com

Sínodo: papa condena hipocrisia religiosa e exploração da Amazônia

Ele disse que a assembleia foi uma oportunidade para mostrar ao mundo que 'a criação não é um meio para explorar, mas para cuidar'

"Os erros do passado não bastaram para deixar de saquear os outros e causar feridas nos nossos irmãos e na nossa irmã Terra" (AFP)

Mirticeli Medeiros*
Especial para o Dom Total

O papa Francisco presidiu, neste domingo (27), a missa de encerramento do sínodo dos bispos para a região pan-amazônica. O pontífice, durante seu sermão, refletiu sobre a parábola do fariseu e do publicano, dois personagens utilizados por Jesus Cristo para representar o fiel soberbo e aquele que se reconhece pecador. 

Referindo-se ao soberbo, o pontífice disse "que ele cumpre muito bem os preceitos, mas esquece o preceito mais importante: amar Deus e o próximo". Continuando sua explicação, reiterou que esse tipo de religiosidade "se concentra nos próprios méritos, virtudes e sobre si mesmo, mas é sem amor". 

"Ele está no templo de Deus, mas pratica a religião do eu (...) Além de Deus, se esquece do próximo, o despreza. Para ele, o outro não tem preço, não tem valor. Se sente melhor que os outros, chamando-os literalmente de 'resto'. Para ele, são resto, lixo do qual se deve manter distância. E vemos muitas vezes isso na vida e na história", disse.

E completou, sem seguir o discurso preparado: "E há muitos católicos que se esquecem de ser cristãos humanos".


O pontífice acrescentou que essa atitude de considerar o outro sem valor leva a "desprezar as tradições, a apagar as histórias, a ocupar territórios e a usurpá-los". E referindo-se à Amazônia, disse que a região e seus povos originários continuam sendo explorados por causa do egoísmo e dessas atitudes que excluem.

"Os erros do passado não bastaram para deixar de saquear os outros e causar feridas nos nossos irmãos e na nossa irmã Terra: temos visto isso no rosto desfigurado da Amazônia", ressaltou.

Agradecendo aos participantes do sínodo, que durante quase um mês trouxeram ao papa os desafios da Amazônia, disse que a assembleia foi uma oportunidade para mostrar ao mundo que "a criação não é um meio para explorar, mas para cuidar".

A assembleia especial do sínodo dos bispos para a região pan-amazônica começou no dia 6 de outubro. O evento reuniu mais de 200 pessoas entre bispos, padres e leigos que atuam na região. Na noite de desse sábado (26), os participantes entregaram ao papa um relatório de propostas sobre presença da Igreja da Amazônia. O papa analisará os 188 artigos presentes no documento e elaborará a sua resposta. A previsão é que o documento papal, chamado de exortação apostólica pós-sinodal, seja publicado nos próximos meses.

*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

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