Religião

04/11/2019 | domtotal.com

Mártires do machismo cristão: 'A Igreja foi e é machista'

A Igreja não é exatamente um modelo e exemplo de igualdade no tratamento às mulheres

Mulheres católicas na Alemanha exigem direitos iguais com a campanha Maria 2.0
Mulheres católicas na Alemanha exigem direitos iguais com a campanha Maria 2.0 (NW/ Friso Gentsch)

Antonio Aradillas
Religión Digital

O termo "machismo" não precisa de nenhuma explicação acadêmica, já que é conhecido e praticado por tantos até mesmo na sociedade atual. Não só praticado, mas vivido até suas últimas consequências. A definição atual fornecida pelo dicionário Aurélio nos fala de: "opinião ou atitudes que discriminam ou recusam a ideia de igualdade dos direitos entre homens e mulheres... Excesso de orgulho do masculino; expressão intensa de virilidade; macheza”.

É dramática a ocasião de aproveitar a oportunidade de escrever essa reflexão jornalística. Basta olhar para as mídias sociais e descobrir, sobretudo nos meios de comunicação com marca e origem hispânicas, as notícias que, dia a dia, enchem-se com a tinta vermelha do sangue das mulheres – parceira, ex-parceira ou que sejam – as páginas e espaços informativos. Cidades, povoados e comunidades carregam com horror, exaustão e vergonha esses sinistros registros e, por meio de seus organismos, marcam e decidem três minutos de silêncio e três dias com bandeiras a meio mastro em sinal de luto...

Estas notícias, como todas as demais, estão marcadas por circunstâncias concretas de lugar e tempo. Elas têm seus protagonistas ativos e passivos. Estes últimos, em muitos casos, são meninos ou meninas que presenciara as cenas de violência e haverão de sentir-se órfãos por toda a vida.

Também é um fato terrivelmente real e significativo que, com ou sem denúncias e fazendo uso dos dispositivos oficiais disponíveis às denunciantes pelos órgãos públicos, já antes do final de outubro, em várias localidades, o número de assassinatos terá excedido ao registrado no ano anterior...

Mas o que isso tem a ver com a Igreja? Pode ser isso objeto de reflexão especial, meditação, confissão e arrependimento? São perguntas que muitos fazem e cuja resposta é meu objetivo. Com piedade e objetividade, pretendo aportar ao tema com algumas sugestões:

A Igreja e o machismo

A Igreja, especialmente a hierárquica, não é exatamente um modelo e exemplo de igualdade no tratamento que dá às mulheres. A Igreja foi e é machista. É doutrina e experiência comum que, para sua defesa, poderia se utilizar, e se utiliza, dos presentes e vigentes testemunhos bíblicos, quase dogmáticos e ético-morais. A mulher é pecado. Teólogos, "Santos Padres", papas, catecismos, homilias, cartas pastorais, cânones e liturgias, e até "cristãos ao longo da vida", desregistraram a mulher da Igreja", incapacitando-a, por exemplo, para o sacerdócio, com a declaração de "impura" e transmissora de impurezas legais e "religiosas"...

A Igreja, educadora e formadora de educadores, em seus respectivas colégios "religiosos", deve enfrentar o mais rápido possível e erradicar, com confiabilidade, justiça, zelo pastoral e evangelho, a menor aparência de discriminação contra as mulheres em relação ao homem. É algo incompreensível que isso continue acontecendo na perspectiva "franciscana" da Igreja que o atual papa encarna. As dificuldades de sua superação são consideradas menos do que intransponíveis, apesar da devoção de Francisco a santa Clara, também de Assis, como seu santo homônimo.

Apesar de tudo, as mulheres católicas continuam – e continuarão – a depositar suas esperanças no papa Francisco,  temerosas de que o nocivo machismo clerical reconquiste algumas das posições feministas alcançadas, pelo menos em teoria, ainda que sem realização na prática.

A redação e publicação do “Ano cristão das mulheres maltratadas”, mártires, por definição, está ausente nos catálogos das editoras autonomeadas “religiosas”, com destaque para a própria Conferência Episcopal Espanhola.


Publicado originalmente por Religión Digital


Tradução: Ramón Lara

EMGE

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