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06/11/2019 | domtotal.com

Diplomata dos EUA admite ter condicionado ajuda à Ucrânia à investigação sobre Biden

Kiev deveria garantir publicamente que investigaria a relação de do então candidato e seu filho com a empresa de energia Burisma

O embaixador Gordon Sondland (C) admitiu em depoimento no Congresso ter condicionado a ajuda militar à Ucrânia em troca da abertura de uma investigação sobre Joe Biden
O embaixador Gordon Sondland (C) admitiu em depoimento no Congresso ter condicionado a ajuda militar à Ucrânia em troca da abertura de uma investigação sobre Joe Biden (AFP/Arquivos)

O embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland, admitiu nessa terça-feira (5) durante um depoimento ao Congresso ter condicionado a ajuda militar à Ucrânia em troca da abertura de uma investigação sobre Joe Biden, um dos adversários democratas do presidente Donald Trump.

Numa das evidências mais incriminatórias contra Trump até o momento, Sondland afirmou que disse a uma autoridade ucraniana que a ajuda militar dos Estados Unidos não seria entregue até que Kiev garantisse publicamente que investigaria a relação de Biden e seu filho com a empresa de energia Burisma.

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Sondland, em um depoimento que invalidou uma versão anterior em que negou todos os fatos, admitiu que propôs o "quid pro quo" (do latim, "algo em troca de algo") supostamente ilegal e repetidamente negado por Trump, em conversa, em 1º de setembro, com Andrey Yermak, consultor sênior do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.

Ao depor em 17 de outubro a parlamentares responsáveis pelo processo de impeachment de Trump, o embaixador disse que falou para Yermak que "a retomada da ajuda americana provavelmente não ocorreria até que a Ucrânia fornecesse o relatório anticorrupção "que eles discutiam há semanas".

Segundo a transcrição, o diplomata afirmou que este foi o ponto culminante de meses de pressão em Kiev, principalmente através do advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, para abrir investigações "anticorrupção" contra Biden e seu filho Hunter, que fazia parte do conselho executivo da empresa ucraniana entre 2014 e 2019.

O embaixador na União Europeia, nomeado por Trump após doar US$ 1 milhão (R$ 3,9 milhões) para sua posse, estava plenamente ciente da relação entre os US$ 391 milhões (R$ 1,56 bilhão) em apoio militar dos EUA e a ajuda da Ucrânia a Trump, visando sua reeleição no próximo ano.

Democratas fundamentam ação

Sondland também admitiu para os legisladores que entendeu que a ligação entre a investigação e a ajuda militar era "imprópria". Questionado sobre a ilegalidade da iniciativa de Trump, o embaixador respondeu: "Não sou advogado, mas presumo que sim".

A Casa Branca negou várias vezes qualquer vínculo entre a ajuda à Ucrânia e os pedidos de Trump, apesar das evidências da transcrição da ligação telefônica de 25 de julho entre o presidente americano e Zelenski.

O depoimento de Sondland e o de Kurt Volker, um emissário especial dos EUA para a Ucrânia, parecem fortalecer a acusação dos democratas de que Trump abusou de seu poder ao solicitar ajuda externa para favorecer sua campanha de reeleição e que ele deveria ter o mandato cassado.

O procedimento adquiriu uma nova dimensão com a aprovação, em 31 de outubro, de uma resolução autorizando audiências públicas de funcionários.

A nova fase pública marca um grande impulso na investigação para uma possível votação contra Trump na Câmara. Se a Câmara dos Deputados - onde os democratas têm maioria - votar a favor de sua destituição, Trump será submetido a um julgamento no Senado, de maioria republicana.

A Casa Branca informou que os testemunhos não oferecem evidências da "farsa da investigação", que ele também descreveu como "ilegítima".


AFP

EMGE

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