Meio Ambiente

07/11/2019 | domtotal.com

França e China fazem frente comum contra Trump sobre o clima

Macron e Xi Jinping reiteram apoio ao Acordo de Paris, apesar da posição isolada do presidente americano, que oficializou a retirada dos EUA do tratado

Os presidentes querem
Os presidentes querem "melhorar a cooperação internacional sobre as mudanças climáticas para garantir a execução total e eficaz do Acordo de Paris". (POOL/AFP)

Os presidentes da China, Xi Jinping, e da França, Emmanuel Macron, reafirmaram nessa quarta-feira (6), em Pequim, o "firme apoio" ao Acordo de Paris sobre o clima, exibindo sua unidade ante os Estados Unidos de Donald Trump, que acaba de oficializar sua retirada do tratado.

Após lamentarem a decisão de Washington, Xi e Macron afirmaram que o acordo assinado em 2015 para lutar contra a mudança climática abria um "processo irreversível", segundo uma declaração comum publicada ao final de uma entrevista no último dia da visita do presidente francês a China.

"Porque quando a China, a União Europeia e a Rússia (que ratificou há algumas semanas o acordo) se comprometem com seriedade, a opção isolada de um país ou de outro não basta para mudar a direção do mundo. Só contribui para isolá-lo", disse Macron, sem citar os Estados Unidos.

Ao contrário do isolacionismo de Trump, os mandatários chinês e francês destacaram além disso sua "firme vontade de melhorar a cooperação internacional sobre as mudanças climáticas para garantir a execução total e eficaz do Acordo de Paris".

Para isso, querem que se "respeite o multilateralismo" e "dar um impulso político à cooperação internacional". Ambos os presidentes formalizaram seu acordo em um "Chamado de Pequim para a conservação da biodiversidade e a mudança climática", publicado após uma entrevista no Palácio do povo da capital chinesa.

No plano político, o delicado tema de Hong Kong foi "obviamente tratado várias vezes com o presidente Xi Jinping", afirmou Macron em sua coletiva de imprensa final na China. Antes de sua chegada, o governo chinês havia advertido de que Hong Kong é um assunto interno e não pode ser alvo de conversas diplomáticas com a França.

Megacontrato nuclear

O presidente francês, que prometeu viajar para a China todos os anos, insistiu várias vezes durante sua visita na necessidade de dar uma dimensão mais europeia à relação com Pequim. O objetivo é ter um maior peso continental para um país como França, de 65 milhões de habitantes, ante um gigante de 1,4 bilhão de pessoas que dispõe de meios colossais e se converteu na segunda economia mundial.

Mas no âmbito bilateral Paris e Pequim se comprometeram nessa quarta-feira a assinar antes do fim de janeiro o acordo final para a construção na China de uma fábrica de tratamento de combustíveis nucleares usados, um projeto de mais de 10 anos em mãos do grupo francês Orano (ex-Areva).

A visita de Macron a China permitiu a assinatura de uma série de acordos comerciais - nos setores energético, agroalimentar, aeronáutico, entre outros - em um valor total de 15,1 bilhões de dólares, segundo fontes chinesas, não confirmadas do lado francês.

Cultura e Asterix

A visita do presidente francês também teve sua vertente de cooperação cultural, com a inauguração em Xangai de uma filial do Centro Pompidou, pela primeira vez fora da Europa. Na delegação francesa estava o ator e diretor de cinema Guillaume Canet, que buscava autorização para filmar seu novo longa-metragem sobre Asterix ao pé da Grande Muralha.

"Asterix vai conhecer as Rotas da Seda (gigantesco plano chinês de expansão e cooperação internacional) e permitirá que compartilhemos nossos populares acervos imaginários", comemorou Macron.


AFP/Dom Total

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