Religião

08/11/2019 | domtotal.com

Patrimônio de BH, Mosteiro Nossa Senhora das Graças completa 70 anos

Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho

Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
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Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
As 12 fundadoras, rumo a Belo Horizonte em 1949.
As 12 fundadoras, rumo a Belo Horizonte em 1949. Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
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Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
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Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Nos anos 60, o mosteiro chegou até 72 membros
Nos anos 60, o mosteiro chegou até 72 membros Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Encontro com São João Paulo II na década de 80
Encontro com São João Paulo II na década de 80 Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
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Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção se estendeu por 50 anos
Construção se estendeu por 50 anos Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
Antes descampado, mata ao redor foi plantada pelas religiosas
Antes descampado, mata ao redor foi plantada pelas religiosas Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho
Templo levou 50 anos para ficar pronto e exibe estilo modernista aplicado ao estilo de vida monástico. Em pleno grande centro urbano, monjas de até 99 anos levam vida enclausurada de oração e trabalho Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Monjas beneditinas em Belo Horizonte
Monjas beneditinas em Belo Horizonte Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
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Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão
Construção tem tijolo aparente, com formas puras e limpas: arquitetura voltada para a meditação e reflexão Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)
A produção do CD conta com a regência da maestrina Marilene Gangana e do cravista Antônio Carlos de Magalhães.
A produção do CD conta com a regência da maestrina Marilene Gangana e do cravista Antônio Carlos de Magalhães. Foto (Arquivo/Mosteiro N.S. das Graças)

Thiago Ventura

Escondida por muros altos e protegida por uma pequena reserva florestal, ergue-se uma construção de arquitetura modernista com estilo sóbrio e tijolos aparentes. Ao entrar no local, tem-se a impressão de viajar no tempo, para uma outra era, devido ao silêncio profundo, quebrado em horários determinados por sinos e cânticos em latim ou por sons da natureza. Trata-se do Mosteiro Nossa Senhora das Graças, localizado no alto do bairro Vila Paris, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O templo, que pertence ao ramo feminino da Ordem de São Bento (OSB), abriga 47 monjas enclausuradas. O mosteiro-abadia completa 70 anos neste 12 de novembro.

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Para festejar a boda, as irmãs celebram missa solene no próximo domingo (10), às 8h,  presidida pelo arcebispo de Belo Horizonte, presidente da CNBB e colunista do Dom Total, dom Walmor Oliveira de Azevedo. Além disso, elas lançaram um CD com canto gregoriano, estilo musical típico da vida dos mosteiros.



O álbum Cantarei ao Senhor por toda a vida contém, além do canto gregoriano, canções marianas. A produção conta com a regência da maestrina Marilene Gangana e do cravista Antônio Carlos de Magalhães.

“Temos a esperança que nosso mosteiro continue tudo que nossas irmãs fundadoras deixaram, principalmente esse estar envolvido com a comunidade local, nossa convivência de ser uma resposta de esperança para este mundo tão conturbado”, afirma madre Maria Letícia, OSB, abadessa do mosteiro.


Igreja do Mosteiro tem duas naves em formato de LIgreja do Mosteiro tem duas naves em formato de L

O Mosteiro Nossa Senhora das Graças, tombado pelo patrimônio cultural de Belo Horizonte, é um projeto do arquiteto Francisco Bolonha (1923-2003), um paraense com atuação no Rio de Janeiro. Bolonha trabalhou com nomes como Roberto Burle Marx e Affonso Eduardo Reidy, esse último no Conjunto Habitacional Pedregulho, no Rio. A construção do mosteiro estendeu-se por 50 anos, contados desde o projeto inicial de 1949, e acompanhou a carreira do arquiteto, desde o início modernista até outras influências. 

O edifício é formado por seis blocos, com volumes adicionados nas etapas de construção, organizados por um eixo cartesiano principal e outro secundário. O visual exibe as formas puras dos volumes. Possui dois claustros que funcionam como jardins de meditação. De um deles, ergue-se um campanário de 25 metros composto por cinco sinos de fabricação alemã, doados em 1961. Estes ficaram cerca de 20 anos sem badalar, pois a estrutura precisou ser reforçada com o peso dos sinos, revela pesquisafeita pelas arquitetas Marcia Poppe e Beatriz de Oliveira.

Entre os claustros, se encontra a igreja com duas naves que formam um ‘L’: a ala destinada aos fiéis é voltada para a fachada, enquanto a parte das irmãs, posicionada entre os jardins, abriga o coro e um órgão. Até os anos 1970 havia uma treliça de madeira para evitar o contato visual das monjas com os fiéis. Ela foi retirada em consonância com o Concílio Vaticano II (1962-1965), que modernizou vários aspectos da Igreja Católica.

O templo, que pertence ao ramo feminino da Ordem de São Bento (OSB), abriga 47 monjas enclausuradasTemplo, que pertence ao ramo feminino da Ordem de São Bento (OSB), abriga 47 monjas enclausuradas

Um vitral filtra a luz da manhã, projetando luzes coloridas na Capela do Santíssimo, localizada entre a recepção e a igreja. Com missas diárias, a igreja marca a divisão entre o espaço aberto ao público da parte reservada às irmãs. Nas celebrações solenes, são exibidas relíquias de Santa Escolástica e São Bento, patronos da ordem.

O pavimento inferior contempla áreas comuns e abertas ao público externo, como recepção, sala dos padres, parlatórios, sala de atendimentos comunitários e até mesmo uma hospedaria. Restrito às monjas, o local possui ateliês para trabalhos manuais, que são vendidos na portaria, biblioteca, refeitório e um eremitério, onde as irmãs podem ficar isoladas. O cemitério é localizado ao lado da igreja. O segundo andar contempla as celas (quartos) das monjas e o noviciado.

Também projetados por Bolonha, os móveis e outros elementos possuem desenho simples e delicados. Em geral, são constituídos em madeira, harmonizando em cores com os tijolos aparentes. O objetivo é manter o clima de recolhimento e oração. Na recepção há o lema do mosteiro Secundum verbum (‘De acordo com a Palavra’), ressaltando o gosto das irmãs pelo estudo da liturgia e prática da Lectio divina, método de leitura, reflexão e oração dos textos religiosos.

Reza e trabalha

A rotina rígida e o modo de vida abnegado – seguindo os preceitos da Regra de São Bento, um livro escrito no século 6º –, contrastam com a vida caótica da sociedade contemporânea, em especial dos grandes centros urbanos. Além dos tradicionais votos da vida religiosa, as monjas fazem outro compromisso: o da estabilidade. Não há atividades externas: são anos e mais anos enclausuradas nos muros do templo. Há até um cemitério, onde as irmãs concluem seu compromisso. Contudo, elas encontram outro valor também estimados "do lado de fora" no corre-corre do trânsito: paz interior.

Madre Maria Letícia, OSB foi eleita abadessa com apenas três anos de votos solenesMadre Maria Letícia, OSB foi eleita abadessa com apenas três anos de votos solenes

Das 47 religiosas, 37 têm votos solenes e 10 estão em formação, um caminho que dura pelo menos oito anos. Além da Regra de São Bento, elas possuem "costumes locais" adaptados à realidade da região. O hábito preto tradicional é reservado para momentos solenes e às missas dominicais. Por conta do calor, podem usar um hábito cinza, mais fresco.

“A clausura dá impressão que nós ‘estamos presas’, mas na verdade a clausura é esse espaço de silêncio, de escuta de Deus”, explica madre Maria Letícia. “Meu pai mesmo ficava com receio de me ver apenas por um quadradinho”, brinca.

As monjas com votos solenes usam hábito com véu branco, enquanto só a madre abadessa exibe uma cruz peitoral. No tempo inicial de experiência, a interessada usa um uniforme azul. Postulantes à monja usam uma veste cinza e, ao progredir para noviças, utilizam véu branco.

As irmãs fundadoras, em São Paulo, rumo a Belo Horizonte em 1949As irmãs fundadoras, em São Paulo, rumo a Belo Horizonte em 1949

O lema dos beneditinos Ora et labora é aplicado numa rotina que começa às 4h25, quando as monjas se levantam. Ao longo do dia há uma missa às 7h e sete orações: vigílias (5h), Laudes (6h20), Terça (9h), Sextas (11h20), Noa (15h), Vésperas (17h20) e Completas (19h40). Entre cada um desses horários, atividades manuais, artesanato, pintura, estudos e serviços domésticos. As atividades terminam por volta das 20h.

Apesar de enclausuradas no mosteiro, nada impede que elas acolham quem necessita. As orações diárias podem ser acompanhadas pela comunidade, desde as 5h. Além disso, as monjas promovem ações sociais atendendo pessoas empobrecidas num pavilhão com ajuda de voluntários. Por sinal, a abadia tem 55 "oblatos", que são leigos que vivem inspirados na espiritualidade de São Bento.

História

O mosteiro-abadia é uma comunidade independente, mas ligada implicitamente à arquidiocese. Foi inaugurado em 1949 através de intervenção direta do primeiro arcebispo de Belo Horizonte, dom Antônio dos Santos Cabral. Ele pediu à Congregação Beneditina do Brasil a criação do local. As 12 primeiras monjas vieram da Abadia de Santa Maria, em São Paulo. Curiosamente, várias dessas fundadoras eram mineiras e as famílias ajudaram nas verbas para construção. A escolha da padroeira, Nossa Senhora das Graças, foi feita por dom Cabral, que era devoto da santa.

Irmã Agnes, OSB exibe orgulhosa o CD lançado pelas monjas para os 70 anos do mosteiroIrmã Agnes, OSB exibe orgulhosa o CD lançado pelas monjas para os 70 anos do mosteiro

No final dos anos 1940, o local que hoje é um bairro de alto padrão de Belo Horizonte era um morro descampado. Não havia caminho e a trilha aberta para a construção do imóvel acabou se tornando a Rua do Mosteiro. A mata que rodeia o edifício foi plantada justamente para manter o local isolado e hoje atrai inúmeras espécies de pássaros e mamíferos.

Devido ao número inicial de 12 monjas, logo em 1953 o mosteiro de Nossa Senhora das Graças já alcançou o status de abadia, reconhecido pelo Vaticano. Entre os anos 1960 e 1970, teve grande crescimento abrigando 72 membros. Com isso, pôde enviar monjas para fundar outros mosteiros: Olinda (PE) em 1963, Caxambu (MG) em 1973, e Salvador (BA), em 1977, além de incorporar para a ordem beneditina os mosteiros de Nossa Senhora da Glória, em Uberaba (MG), e Mosteiro da Virgem, em Petrópolis (RJ).

A atual abadessa é madre Maria Letícia, eleita em 2012. Com o lema Servire in læticia, é a quarta religiosa a dirigir o mosteiro.  A primeira e fundadora foi madre abadessa Luzia Ribeiro de Oliveira, sucedida, em 1982, por madre Inês Cançado Bahia. Em 2000, madre abadessa Estefânia Vieira foi escolhida como a terceira a exercer a função. A madre é eleita num capítulo das monjas com votos solenes e recebe a bênção abacial do arcebispo. Ela pode exercer o cargo até os 75 anos, quando vira madre emérita. Por costume local, apenas a madre em exercício exibe a cruz peitoral.

Mosteiro possui dois claustros que funcionam como jardim de meditaçãoMosteiro possui dois claustros que funcionam como jardim de meditação

Biblioteca possui livros raros e as irmãs também fazem traduções de documentosBiblioteca possui livros raros e as irmãs também fazem traduções de documentosAo lado da igreja, o cemitério: voto de estabilidade até o fimAo lado da igreja, o cemitério: voto de estabilidade até o fimA eleição da quarta madre teve um caso inusitado. Natural de Formosa (GO), madre Maria Letícia entrou para as beneditinas em 2002 e fez votos solenes em 2009. Como tinha apenas três anos desses votos, sua eleição ficou "postulante" por seis meses, aguardando decisão de Roma enquanto não atingia a idade mínima de vida religiosa para dirigir um mosteiro. Nesse período, a comunidade  ficou sem saber quem era a superiora do local.

O templo é mantido por doações e da venda de trabalhos feitos pelas irmãs, como vestes litúrgicas para padres, paramentos, cartões e escrita artística, traduções e cerâmicas. Além disso, revela madre Maria Letícia, o mosteiro conta com aplicações originárias das 12 fundadoras, época em que a família deveria oferecer um dote para que a filha entrasse na vida religiosa.


Mosteiro Nossa Senhora das Graças
Rua do Mosteiro, 138, Vila Paris, Belo Horizonte (MG)
Missas de segunda à sábados às 7h; domingo às 8h
Telefone: (31) 3344-4344


EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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