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11/11/2019 | domtotal.com

Lula e esquerda latino-americana denunciam saída de Morales como 'golpe de Estado'

Evo Morales foi o primeiro presidente indígena da Bolívia e esteve no poder por 13 anos e nove meses, o mandato mais longo da história do país sul-americano

Morales era um dos últimos representantes da
Morales era um dos últimos representantes da "onda bolivariana". (AFP)

Os governos de Cuba e Venezuela e o ex-presidente brasileiro Lula (PT)     chamaram de "golpe de Estado" a renúncia neste domingo de seu aliado Evo Morales na Bolívia, enquanto no outro lado do espectro ideológico dominou a reserva. "Condenamos categoricamente o golpe de Estado consumado contra o irmão presidente @evoespueblo", escreveu no Twitter o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

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"Movimentos sociais e políticos do mundo nos declaramos em mobilização para exigir a preservação da vida dos povos originários bolivianos vítimas do racismo", acrescentou Maduro.

Morales era um dos últimos representantes da "onda bolivariana" que na esteira do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez chegou ao poder em meados de década passada. Morales, procedente do mundo sindical, era o presidente em exercício com mais tempo no poder na região: 14 anos. 

Cuba acusou a direita de ter perpetrado um "violento golpe de Estado". "A direita, com um violento e covarde golpe de Estado, atenta contra a democracia na Bolívia", tuitou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, que pediu uma "mobilização mundial pela vida e pela liberdade de Evo".

Lula culpa "elite econômica"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou a prisão na sexta-feira, se uniu a essas vozes. "Acabo de saber que houve um golpe de Estado na Bolívia e que o companheiro @evoespueblo foi obrigado a renunciar. É lamentável que a América Latina tenha uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres", tuitou Lula.

O governo mexicano de Andrés Manuel López Obrador também expressou sua insatisfação com o ocorrido. "Na Bolívia há uma operação militar em curso, a rechaçamos, é similar aos trágicos atos que ensanguentaram a nossa América Latina no século passado (...) Golpe não", escreveu nas redes sociais o ministro das Relações Exteriores mexicano, Marcelo Ebrard.

O presidente eleito da Argentina, o peronista Alberto Fernández, também falou em "golpe de Estado", nesse caso "produto da ação conjunto de civis violentos, policiais aquartelados e a passividade do exército", escreveu no Twitter. Fernández assumirá o poder em 10 de dezembro.

Bolsonaro cita "denúncias de fraudes"

No outro extremo do espectro político, o presidente Jair Bolsonaro citou denúncias de fraude nas eleições da Bolívia como o estopim da renúncia de Morales.

"Denúncias de fraudes nas eleições culminaram na renúncia do Presidente Evo Morales. A lição que fica para nós é a necessidade, em nome da democracia e transparência, contagem de votos que possam ser auditados. O voto impresso é sinal de clareza para o Brasil!".

O atual presidente argentino Mauricio Macri pediu para "preservar a paz social e o diálogo na Bolívia, enfatizando a importância de encaminhar este período de transição aberto pelas vias institucionais que estabelece a Constituição desse país".

O Peru também pediu uma transição democrática, que se desenvolva "no marco da Constituição e das leis bolivianas". Na Colômbia, o governo de Iván Duque pediu uma "reunião urgente" do conselho permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) e que "os cidadãos bolivianos possam se expressar livremente nas urnas e eleger um novo governo com plenas garantias para sua participação".

A Colômbia "solicita à Secretaria Geral a convocação de uma sessão do Conselho Permanente, de maneira urgente, a fim de buscar soluções para a complexa situação institucional que se apresenta no Estado Plurinacional da Bolívia", afirmou o ministério das Relações Exteriores em comunicado.

O organismo pan-americano foi alvo de acusações de Morales, depois que um relatório de sua missão eleitoral na Bolívia solicitou neste domingo a anulação por irregularidades das eleições de 20 de outubro, pelas quais Morales reivindicava vitória.

Morales disse que a OEA tomou uma "decisão política", e não técnica e que a resolução da comissão da auditoria da OEA neste domingo precipitou os fatos.

Evo denuncia golpe

Ao anunciar sua renúncia à presidência da Bolívia, o agora ex-presidente Evo Morales disse que se confirmou "o golpe de Estado que temos denunciado desde 21 de outubro". Morales afirmou, também, que era sua "obrigação" como primeiro presidente indígena do país buscar a pacificação, após semanas de protestos gerados por suspeitas de fraudes nas eleições de 20 de outubro.

"Estou enviando minha carta de renúncia à Assembleia Legislativa da Bolívia", disse Morales em discurso na televisão, acrescentando que deixava o cargo para que "irmãos e irmãs, dirigentes e autoridades não sejam castigados, perseguidos e ameaçados".

"Quero dizer a vocês, irmãs e irmãos, que a luta não termina aqui. Os humildes, os pobres, os setores sociais, vamos continuar com essa luta pela igualdade, pela paz", continuou.

Não está claro quem substituirá Morales, mas alguns analistas dizem que uma das vias constitucionais seria que a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, assumisse o cargo.

Antes de Morales terminar sua declaração, em La Paz e em outras cidades se escutavam buzinaços e pessoas saíam às ruas para festejar com bandeiras do país.

Horas antes do anúncio de Morales, o comandante das Forças Armadas da Bolívia, Williams Kaliman, havia pedido que o agora ex-presidente renunciasse ao cargo.

Pela manhã, Morales tinha anunciado a convocação de um novo pleito eleitoral, depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou em um relatório preliminar ter observado sérias irregularidades nos resultados da eleição de outubro.

Além disso, a Procuradoria-Geral da Bolívia anunciou hoje o início de ações legais contra juízes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do país por supostos "atos eleitorais ilícitos" e dois ministros de Morales renunciaram dizendo que suas decisões buscam ajudar na pacificação do país.

Evo Morales foi o primeiro presidente indígena da Bolívia e esteve no poder por 13 anos e nove meses, o mandato mais longo da história do país sul-americano.


AFP

EMGE

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