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12/11/2019 | domtotal.com

Oposição conduz repressão a nosso movimento, diz Evo

Ex-presidente negou que tenha havido fraude nas eleições recentes nas quais foi reeleito em primeiro turno

Policiais patrulham as ruas de La Paz
Policiais patrulham as ruas de La Paz (AFP)

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira, ao chegar ao México. Morales recebeu asilo do governo do presidente Andrés Manuel López Obrador, após ter renunciado ao poder no fim de semana, no que o boliviano qualificou como um golpe de Estado. Morales afirmou que a oposição conduziu repressão contra dirigentes e outras autoridades de seu movimento político, por isso o México "salvou sua vida" ao lhe conceder asilo.

Morales negou que tenha havido fraude nas eleições recentes nas quais foi reeleito em primeiro turno, segundo os resultados oficiais. A oposição e entidades internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), afirmaram que a disputa foi fraudada, por isso não reconheciam o resultado. O até então presidente chegou a aceitar a realização de nova eleição, mas horas depois renunciou no fim de semana, após perder o apoio do comando das Forças Armadas.

Segundo Morales, oposicionistas saquearam a casa de sua irmã, em Cochabamba, além de atacarem também sua residência. "O pior delito ou pecado é que ideologicamente somos anti-imperialistas" afirmou ele, dizendo que não havia abandonado a política. "Não é por esse golpe que vou mudar ideologicamente, de ter trabalhado com setores mais humildes", garantiu.

Morales não detalhou quais devem ser seus próximos passos, na declaração relativamente breve dada por ele num aeroporto da Cidade do México.

A oposição afirma que houve fraude eleitoral e também diz que Morales nem poderia concorrer neste ano, pois uma nova reeleição dele estaria vetada pela Constituição boliviana. No poder desde janeiro de 2006, Morales fez um plebiscito para poder concorrer, perdeu no voto popular, mas recorreu à Justiça para ainda assim poder disputar.

Senado

O Senado da Bolívia se reúne nesta terça-feira (12) determinado a preencher o vácuo de poder. Os parlamentares estão convocados para uma sessão para ratificar a renúncia de Morales. Diante da saída em bloco dos altos cargos leais ao líder indígena, a segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Añez, deve ser nomeada como presidente interina.

"Essa é a intenção (ser nomeada presidente provisória)", disse Añez à imprensa, ao chegar à sede do Congresso boliviano em La Paz, vinda de sua região de Beni (nordeste). "Não podemos ficar sem governo", acrescentou.

Resta ver se os senadores de todo país conseguem chegar a La Paz, depois de uma segunda-feira marcada por atos violentos. Hoje, as ruas de La Paz acordaram paralisadas, sem transporte público.

Añez, 52 anos, disse estar confiante em que o Senado poderá reunir todos os 19 dos 36 assentos necessários para realizar a sessão, uma vez que "os parlamentares do Movimento ao Socialismo (partido de Morales) também estão dispostos a acabar com essa incerteza, com esse vandalismo e essa instabilidade que temos no país".

"Já temos um calendário. Acho que a população estará gritando que, em 22 de janeiro, já temos um presidente eleito", acrescentou Añez, em conversa com a imprensa na segunda-feira, evocando a data prevista para uma posse presidencial.

A Bolívia está em um vácuo de poder desde domingo, quando Morales renunciou em meio a fortes pressões e a episódios violentos que surgiram após sua polêmica reeleição.


AFP

EMGE

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