Meio Ambiente

14/11/2019 | domtotal.com

Indígenas brasileiros na Europa: 'Não podemos continuar lutando sozinhos'

Até agora, entre outras cidades, a delegação indígena passou por Roma, Berlim e Bruxelas e deve concluir sua viagem na Espanha

Indígenas brasileiros participam de entrevista coletiva em Paris
Indígenas brasileiros participam de entrevista coletiva em Paris (AFP)

Uma delegação de líderes indígenas brasileiros lançou em Paris, um apelo à Europa para que assuma sua responsabilidade e defenda a Amazônia e seus povos autóctones, "ameaçados" pelas políticas do presidente Jair Bolsonaro.

Desde meados de outubro, oito dirigentes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) protagonizam a jornada "Sangue indígena: nenhuma gota a mais", que os levou a várias cidades no continente europeu. O grupo vem se reunindo, sobretudo, com políticos e empresários.

Por um lado, o grupo espera atrair o maior apoio frente a Bolsonaro, a quem acusam de estimular a violência contra suas comunidades. Por outro, apontam a responsabilidade dos europeus - empresas e consumidores - na exploração da Amazônia, especialmente com futura assinatura do acordo de livre-comércio UE-Mercosul.

"O discurso de ódio e de violência de Bolsonaro está estimulando a sociedade a cometer atos" contra os indígenas, denunciou Sonia Guajajara, coordenadora-executiva da Apib, que representa 305 etnias.

Desde antes de assumir o governo em 1º de janeiro deste ano, Bolsonaro afirmou que não permitiria o reconhecimento de novos territórios indígenas e defendeu a exploração de recursos naturais em suas reservas.

Segundo a Apib, 136 líderes de defesa dos direitos humanos e ativistas - incluindo indígenas - foram assassinados desde o final de 2018 no Brasil. Desde janeiro deste ano, registraram-se 109 invasões de territórios autóctones, além do aumento de incêndios de origem criminosa.

"Não podemos continuar lutando sozinhos", desabafou Guajajara, lembrando que os indígenas têm, tradicionalmente, o papel de "guardiães" da Amazônia, um imenso território natural, vital na luta contra a mudança climática.

Aumento da violência

A violência "certamente vai disparar" com o acordo de livre-comércio UE-Mercosul, advertiu Angela Kaxuyana, que integra a Articulação.

Além de produtos como soja e carne bovina, cujo comércio com a UE está previsto neste tratado, "os metais, como o ouro, nos preocupam, especialmente", porque sua exploração "aumentará a invasão das nossas terras", afirmou Kaxuyana.

A assinatura final deste acordo está prevista para o final de 2020, embora alguns países como França e Irlanda tenham deixado claras as suas reservas, diante da política ambiental do governo Bolsonaro.

Kreta Kaygang, líder indígena da Apib, criticou a França, por se tratar de um "grande exportador" de armamento para o Brasil, e Bolsonaro, por querer flexibilizar a posse e o porte de armas. Algo que, segundo ela, agravaria o "massacre" dos indígenas.

Até agora, entre outras cidades, a delegação passou por Roma, Berlim e Bruxelas e deve concluir sua viagem na Espanha.

Conforme o líder Dinaman Tuxá, com UE e Noruega, estabeleceu-se um "canal de diálogo institucional para transmitir informações e pedir que aja contra o malefício do agronegócio".

Itália, Alemanha e Noruega também se comprometeram a "aplicar leis para proibir a entrada, em seu território, de produtos originários destas zonas de conflito e a criar mecanismos de punição", completou Tuxá.


AFP

EMGE

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