Economia

13/11/2019 | domtotal.com

Caixa Econômica diminuirá sua carteira de crédito nos próximos anos

O banco não está renovando operações com grandes empresas e deve securitizar parte do empréstimo imobiliário

A Caixa pretende vender no mercado parte do crédito imobiliário gerado dentro do banco
A Caixa pretende vender no mercado parte do crédito imobiliário gerado dentro do banco (José Cruz/ABr)

São Paulo - A Caixa Econômica Federal (CEF) deve encolher sua carteira de crédito, uma vez que não renova operações com grandes empresas e planeja securitizar parte do empréstimo imobiliário, disse o presidente-executivo do banco, Pedro Guimarães. "Nossa carteira de crédito deve diminuir", disse Guimarães a jornalistas ao comentar resultados do terceiro trimestre.

O banco estatal divulgou que sua carteira de crédito fechou setembro em R$ 683,2 bilhões, recuo de 1,5% em 12 meses, movimento puxado sobretudo pela queda de 5% no estoque de empréstimos para grandes empresas.

Segundo Guimarães, a Caixa não está renovando operações com grandes empresas, incluindo a Petrobras, tendência que vai manter, enquanto se concentra nas operações para pessoas físicas e para pequenas e médias empresas. "Não é papel da Caixa financiar quem pode pegar recursos no mercado", afirmou Guimarães.

As declarações ilustram uma postura diametralmente oposta adotada pela atual gestão àquela praticada durante a última década, quando a Caixa foi um dos principais veículos usados pelo governo federal para tentar reativar a economia com base na maior oferta de empréstimos.

Guimarães, veterano da indústria de banco de investimentos, voltou a enfatizar que dará à Caixa uma gestão mais similar à exercida nos grandes bancos privados no país, inclusive elevando os índices de rentabilidade.

Além de desidratar a carteira de empréstimos corporativos, a Caixa também pretende vender no mercado parte do crédito imobiliário gerado dentro do banco. Maior do país no setor, a Caixa fechou setembro com R$ 456,3 bilhões em empréstimo imobiliário. "Não faz sentido termos mais de R$ 450 bilhões de uma carteira no nosso balanço", argumentou Guimarães. "Podemos ter 300 bilhões."

O banco divulgou que teve lucro líquido de 8 R$ bilhões no terceiro trimestre, alta de 66,7% ante mesmo período de 2018. O salto foi influenciado pela venda de uma carteira de R$ 7 bilhões em NTN-B, que faziam parte de um hedge para fazer frente a obrigações totais de R$ 40 bilhões em instrumentos híbridos de capital, num empréstimo tomado do governo anos atrás. Na base recorrente, o lucro foi de 4,2 bilhões, queda de 14,2%.

O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido foi de 14,2% no trimestre, queda de 5 pontos percentuais ano a ano. Para o executivo, o banco tende a operar com este índice ao redor de 15%, uma vez que diminua o patrimônio líquido para consumir o excesso de capital e termine de devolver os empréstimos ao governo, operação que exige alocação de capital.

IPOs

Guimarães disse ainda que a Caixa deve definir nas próximas semanas as parcerias em oito segmentos de mercado na área de seguros. Essa definição faz parte dos preparativos para a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de seu braço no setor, a Caixa Seguridade.

Outra divisão que deve ser listada em bolsa em 2020 é a Caixa Cartões. Nessa, disse Guimarães, também há duas negociações em andamento para formação de joint ventures, antes do IPO.


Aluisio Alves/Reuters

EMGE

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