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13/11/2019 | domtotal.com

Coleção Ioschpe: obras de Djanira e Portinari reforçam acerco da Pinacoteca de São Paulo

Segmento forte da Coleção Ioschpe é de um raro conjunto de autorretratos, além de pintores abstratos brasileiros

Novas obras que estabelecem um diálogo imediato e direto com o acervo do museu
Novas obras que estabelecem um diálogo imediato e direto com o acervo do museu (Vania Wolf/Flickr/Creative Commons)

Entre as obras que a Coleção Ioschpe cede hoje em comodato à Pinacoteca está um raro conjunto de retratos e autorretratos de artistas como Ismael Nery, Flávio de Carvalho, Djanira e Portinari. São obras que estabelecem um diálogo imediato e direto com o acervo do museu, detentor de um número significativo de obras do gênero, segundo a curadora-chefe Valéria Piccoli.

O gosto de Evelyn Ioschpe pelos autorretratos talvez tenha começado no fim da adolescência, quando foi passar uma temporada nos Estados Unidos com uma bolsa de estudos, deslumbrando-se com as coleções dos museus americanos (em especial com um Monet da National Gallery de Washington). A socióloga e jornalista, na época, convivia com a arte dos impressionistas e pós-impressionistas, notadamente excelente retratistas, como comprovam Degas, Gauguin e Van Gogh.

No Brasil, um artista que sempre se dedicou ao gênero - talvez por necessidade de autoconhecimento, como Rembrandt - foi Ismael Nery (1900-1934), que aplicou a sua produção reflexões de caráter metafísico, criando uma pintura próxima do ideário surrealista. É o caso do Autorretrato satânico (1925), em que Nery, três anos depois da Semana de Arte Moderna (ele não comungava do nacionalismo dos modernistas), afirma sua independência estética e filosófica, pintando a si mesmo como uma figura demoníaca.

Outro segmento forte da Coleção Ioschpe é o núcleo dos pintores abstratos. Uma das principais obras cedidas em comodato é um óleo de 1971 do pintor carioca Ivan Serpa (1923-1973), um dos criadores do Grupo Frente, integrado por Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape. Fiel à arte construtiva, Serpa, nessa pintura, realizada na época em que se dedicada às telas geomânticas, retrabalha conceitos da arte pop.

Anterior a essa é a pintura de Milton Dacosta (1915-1988), Construção em verde (1955), produzida no apogeu de sua ligação com o construtivismo, antes de sua adesão a um figurativismo de caráter comercial (fase das Vênus). Milton e sua mulher Maria Leontina, grande pintora, estão entre os artistas selecionados pela curadoria da Pinacoteca para a primeira exposição do acervo cedido em comodato pelo casal Ioschpe.

Um outra obra de importância histórica é o óleo Maternidade, pintado em 1937 pelo modernista carioca Di Cavalcanti (1897-1976). Foi nesse ano que o pintor recebeu a medalha de ouro pela decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica, em Paris, antes de voltar ao Brasil. Maternidade é um marco sem sua trajetória.

Coleção Ioschpe  - Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, 2, Centro, São Paulo. Telefone (11) 3324-1000
De 4ª a 2ª. das 10h às 17h30. Ingressos: R$ 10 e R$5. Aos sábados, grátis

EMGE

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