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19/11/2019 | domtotal.com

Líder civil que derrubou Morales quer eleições em 19 de janeiro e igreja pede diálogo

Camacho pediu respeito à Constituição e à decisão dos cidadãos de 'ter um processo eleitoral'

Luis Fernando Camacho, líder da oposição boliviano, discursa em frente ao hotel em La Paz em 10 de novembro de 2019
Luis Fernando Camacho, líder da oposição boliviano, discursa em frente ao hotel em La Paz em 10 de novembro de 2019 (AFP)

O líder civil de direita Luis Fernando Camacho, que propiciou a queda de Evo Morales, defendeu nessa segunda-feira a realização de eleições na Bolívia no dia 19 de janeiro, e deu um prazo "até a quinta-feira" para que o governo interino convoque a votação.

Camacho pediu respeito à Constituição e à decisão dos cidadãos de "ter um processo eleitoral até 19 de janeiro de 2020 (...), dando um prazo até a quinta-feira para que possamos ter um tribunal eleitoral que reflita o sentimento do povo boliviano". "Necessitamos garantir ao povo boliviano um processo eleitoral limpo e transparente, mas principalmente imediato (...), em 19 de janeiro".

Protestos

Os seguidores do ex-presidente Evo Morales realizaram passeatas e bloquearam estradas na segunda-feira (18) para exigir a saída da presidente interina Jeanine Áñez, enquanto a Igreja Católica pedia um diálogo para convocar eleições e pacificar a Bolívia, onde 23 pessoas morreram em quase um mês de confrontos.

"Não temos mais democracia", grita Carmen, enquanto participa de uma marcha de produtores de folha de coca em Sacaba (centro) impedida de chegar à cidade de Cochabamba, a cerca de 18 quilômetros, para protestar contra a presidente Jeanine Áñez, que assumiu o cargo após a renúncia de Morales, em 10 de novembro.

"Já vimos que essa presidente em questão de horas mandou que atirassem balas contra o povo da Bolívia para nos silenciar", lamenta, referindo-se às nove mortes registradas quando os plantadores de coca tentaram, na sexta-feira, passar por um bloqueio da Polícia Militar de Cochabamba.

Em La Paz, milhares de camponeses também se manifestaram no centro da cidade, que estava lentamente tentando voltar à normalidade. Enquanto a Praça Murillo, onde estão localizados os gabinetes do governo, ainda é guardada pelas forças policiais.

Igreja pede diálogo

Enquanto os protestos não cessam, a Igreja Católica pediu diálogo para encerrar uma crise que se tornou mais violenta. Os bispos bolivianos, em coordenação com a União Europeia e as Nações Unidas, pediram ao governo, partidos políticos e representantes da sociedade civil que iniciem um diálogo para pacificar o país.

"O diálogo é a maneira apropriada de superar as diferenças entre os bolivianos", disse o secretário-geral da Conferência Episcopal Boliviana, Aurelio Pesoa, em uma coletiva de imprensa, na qual considerou que "realizar eleições transparentes é a melhor maneira de superar as diferenças".

Os bispos discutem desde a semana passada com o governo interino de Jeanine Áñez e setores ligados a Morales, que renunciou há uma semana e se asilou no México depois que foram desencadeados protestos denunciando fraudes nas eleições de 20 de outubro.

O Movimento ao Socialismo (MAS, de Morales), que é maioria no Congresso, também está tentando reunir grupos legislativos minoritários "para trabalhar, conversar, discutir a situação política e pacificar o país", anunciou no domingo.

A ministra da Comunicação, Roxana Lizárraga, acusou Morales de tentar dividir os bolivianos. "O que ele está causando é apreensão. Ele não é um pacificador... ele está nos chantageando", acusou. 

No México, Morales usou o Twitter para fazer suas críticas. "Em vez de pacificação (as novas autoridades) ordenam difamação e repressão contra irmãos do campo que denunciam o golpe de Estado". Moradores de El Alto convocaram um ato na vizinha de La Paz a partir dessa segunda-feira para forçar "a renúncia imediata" de Áñez.


AFP



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