Meio Ambiente

28/11/2019 | domtotal.com

Energia a carvão deve ter queda recorde em 2019, revela análise

Nos últimos 35 anos, houve apenas duas quedas de energia a carvão: 2009, após a crise financeira global e 2015, com a desaceleração da China

Eletricidade a carvão de usinas como esta em Xangai, China, pode ter uma queda recorde este ano
Eletricidade a carvão de usinas como esta em Xangai, China, pode ter uma queda recorde este ano (AFP/Arquivos)

A energia movida a carvão, um dos principais impulsionadores da mudança climática, deve cair globalmente um recorde de 3,0% este ano, liderado em grande parte pelos países desenvolvidos, embora a China e a Índia também sejam parcialmente responsáveis, mostrou uma análise divulgada nesta semana.

Essa queda "histórica" seria igual a 300 Terawatts-hora (TWh), ou mais do que a produção combinada de eletricidade à base de carvão da Alemanha, Espanha e Grã-Bretanha no ano passado, aponta relatório do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), Sandbag, e do Instituto de Análise Econômica e Financeira de Energia (IEEFA) publicado pelo site Carbon Brief, com sede no Reino Unido.


A reviravolta se deve em grande parte às "quedas recordes nos países desenvolvidos, incluindo Alemanha, UE em geral e Coreia do Sul, que não estão sendo acompanhadas por aumentos em outros lugares".

"A maior redução está ocorrendo nos EUA, à medida que várias grandes usinas a carvão fecham", acrescentou.

Entre 2017 e 2018, as quedas nos EUA e na União Europeia foram "compensadas por aumentos em outros lugares, principalmente na China", disse o Carbon Brief.

"Este ano, no entanto, a queda nas economias desenvolvidas está se acelerando, enquanto a geração de carvão na Índia e na China está desacelerando acentuadamente, precipitando uma redução global".

Nos últimos 35 anos, houve apenas duas quedas de energia a carvão em geral - 148 TWh em 2009, após a crise financeira global, e 217 TWh em 2015, com a desaceleração da China.

Na China, o carvão tende a preencher a lacuna entre o crescimento da energia limpa e a crescente demanda, disse Carbon Brief.

O estudo observou que as empresas chinesas continuaram a adicionar novas usinas a carvão a uma taxa de uma grande instalação a cada duas semanas, mesmo quando as taxas médias de utilização das usinas caem para níveis inferiores a 50%.

O resultado é que a China "ainda domina o cenário global" na geração de eletricidade a carvão, que "atingiu um pico inesperado" em 2014, quando a segunda maior economia do mundo começou a esfriar.

Nos EUA, a geração de energia a carvão caiu 13,9% até agosto deste ano, enquanto nos primeiros seis meses de 2019 a produção da União Europeia caiu 19%.

O futuro da eletricidade a carvão "tem implicações significativas nos esforços globais para combater as mudanças climáticas", observou o Carbon Brief.

No ano passado, um aumento de 3% nas emissões de CO2 da geração de energia a carvão foi responsável por metade do aumento global das emissões de combustíveis fósseis.

Para 2019, uma redução de 3% pode implicar um crescimento zero na produção global de CO2, se as mudanças nas emissões em outros setores espelharem as de 2018.

Essas mudanças são significativas, mas o estudo ainda observou que a queda projetada de 3,0% deste ano seria apenas metade da queda de 6,0% que a Agência Internacional de Energia afirma ser necessária a cada ano até 2040 para concretizar seu "Cenário de Desenvolvimento Sustentável", que visa limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC.

A Organização Meteorológica Mundial disse nesta segunda-feira que as emissões de gases de efeito estufa atingiram um novo recorde em 2018.


AFP

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
Saiba mais!



Comentários