Brasil Política

26/11/2019 | domtotal.com

Não se assustem se alguém pedir o AI-5 contra protestos, diz Paulo Guedes

Ministro da Economia repete filho de Jair Bolsonaro, Eduardo, que cogitou voltar com o mais duro Ato Institucional da ditadura caso 'a esquerda radicalizasse'

'Sejam responsáveis, pratiquem a democracia', diz Paulo Guedes
'Sejam responsáveis, pratiquem a democracia', diz Paulo Guedes (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Atualizada às 12h49!

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em Washington que é inconcebível a ideia de um novo AI-5 no Brasil, mas ao mesmo tempo disse que as pessoas não devem se assustar com a ideia de alguém pedi-lo diante da radicalização de possíveis protestos. 

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Guedes falava que o presidente Jair Bolsonaro se preocupou com o "timing político" do envio das reformas administrativa e tributária ao Congresso, levando em conta as manifestações de rua em outros países da América Latina, como o Chile. Questionado por um repórter se a preocupação era gerada por algum medo de Lula, o ministro começou a falar sobre o ex-presidente e criticou manifestações feitas após sua soltura. Ao deixar a prisão, o ex-presidente convocou a juventude a ir às ruas e seguir o exemplo do Chile e da Bolívia.

"Chamar povo para rua é de uma irresponsabilidade... Chamar o povo para rua pra dizer que tem o poder, para tomar. Tomar como? Aí o filho do presidente fala em AI-5, aí todo mundo assusta, fala 'o que que é?' (...) Aí bate mais no outro. É isso o jogo? É isso o que a gente quer? Eu acho uma insanidade chamar o povo pra rua pra fazer bagunça. Acho uma insanidade."

Há pouco menos de um mês, o deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, defendeu medidas como "um novo AI-5" para conter manifestações de rua caso "a esquerda radicalizasse". 

O Ato Institucional nº 5 foi a mais dura medida instituída pela ditadura militar, em 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e estados, esvaziar garantias constitucionais como o direito a habeas corpus e suspensão de direitos civis. A fala de Eduardo Bolsonaro foi repreendida nacionalmente por lideranças como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ministros do Supremo Tribunal Federal.

Guedes afirmou que "assim que ele (Lula) chamou para a confusão, veio logo o outro lado e disse 'é, saia para a rua, vamos botar um excludente de ilicitude, vamos botar o AI-5, vamos fazer isso vamos fazer aquilo. Que coisa boa, né? Que clima bom", criticou o ministro na noite de segunda-feira (25).

Excludente de ilicitude

O ministro também sugeriu que o projeto de lei que prevê o excludente de ilicitude para militares e agentes de segurança pública em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) é uma resposta ao discurso de Lula.

"Aparentemente digo que não (Bolsonaro não está com medo do Lula). Ele só pediu o excludente de ilicitude. Não está com medo nenhum, coloca um excludente de ilicitude. Vambora", disse o ministro. Bolsonaro disse na semana passada que enviou ao Congresso projeto de lei que beneficia militares e agentes de segurança pública para que possam agir sem ter de responder criminalmente em operações de GLO.

Bolsonaro declarou que agora "cabe ao Parlamento" a análise do projeto, que chamou de marco importante na luta contra a criminalidade no Brasil. O presidente também afirmou que "ladrão de celular tem que ir pro pau", numa referência a uma fala do ex-presidente Lula. Uma semana atrás, o petista disse que "não aguenta mais um jovem ser morto porque roubou um celular". 

Off the records

Depois de mais de 1h30 de coletiva de imprensa em Washington, Guedes tentou pedir que o conteúdo de suas declarações fossem mantidas "off the records" - prática jornalística na qual uma fonte pede que a informação não seja divulgada pelos repórteres. Ele foi avisado de que agências de notícias de transmissão em tempo real e televisões acompanhavam a coletiva de imprensa, que é, por definição, o momento em que autoridades prestam esclarecimentos públicos.

Guedes afirmava a todo momento que fazia as declarações como "pessoa física" e não como ministro da Economia. Segundo ele, não caberia ao ministro da Economia discutir com Lula. 

Reformas

O ministro admitiu que as reformas desaceleraram com receio a manifestações como as vistas em outros países da região. "É verdade que desacelerou. Quando começa todo mundo a ir pra rua por no apparent reason, você não sabe qual é a razão, você fala: 'Não, para tudo pra gente não dar nenhum pretexto, vamos ver o que está acontecendo primeiro. Vamos entender o que está acontecendo", disse. Segundo ele, Bolsonaro está comprometido com as reformas, mas tem preocupação com o que aconteceu nos demais países da região.


Reuters / Agência Estado / Dom Total



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