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26/11/2019 | domtotal.com

Pela primeira vez, Flip homenageia uma autora estrangeira: Elizabeth Bishop

Escritora americana tem uma forte conexão com o Brasil e chegou a publicar uma coletânea de poesia brasileira em inglês

Elizabeth Bishop com seu gato Tobias, em 1954, no Rio de Janeiro
Elizabeth Bishop com seu gato Tobias, em 1954, no Rio de Janeiro (Vassar College Library)

A homenageada da 18ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, em 2020, será a escritora americana Elizabeth Bishop (1911-1979), marcando a primeira vez que a Flip celebra um autor estrangeiro. A Flip 2020 ocorre de 29 de julho a 2 de agosto, em Paraty, no litoral sul fluminense.

A escolha de uma autora não brasileira, poeta e pouco afeita a questões políticas contrasta com o homenageado da edição de 2019 Euclides da Cunha. A obra do autor de Os sertões trouxe carga política à festa. Para o ano que vem, porém, a curadora Fernanda Diamant preferiu outro caminho. "Ela é uma das maiores poetas do século 20, teve uma história trágica, e uma vivência com o Brasil muito ambígua entre o elogio e a crítica", explica. "Ela se incomoda com uma série de coisas com que a gente também se incomoda."

Bishop tem uma forte conexão com o Brasil. Em 1951 - ainda antes de ganhar o Prêmio Pulitzer em 1956 -, ela aportou em Santos com a intenção de permanecer duas semanas, mas acabou se apaixonando pelo País e pela arquiteta Lotta de Macedo Soares (1910-1967), e viveu aqui por 15 anos, entre o Rio e Petrópolis. Também teve uma casa em Ouro Preto (MG).

Consagrada e premiada, Bishop na verdade publicou menos de 10 livros em vida. Um deles é An anthology of twentieth century Brazilian poetry (Uma antologia da poesia brasileira do século 20), editado por ela e com poemas traduzidos por Bishop e outros tradutores. João Cabral de Melo e Neto e Carlos Drummond de Andrade têm poemas ali, entre outros autores.

A obra de Bishop é publicada no Brasil pela Companhia das Letras. Uma arte: As cartas de Elizabeth Bishop (1995), Poemas escolhidos (2012) e Prosa (2014) estão à venda nas livrarias e no site da editora.

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Embora nenhum autor tenha sido confirmado no evento, o nome da escolhida dá algumas pistas. Paulo Henriques Britto traduziu todos os seus livros publicados aqui. O romancista americano Michael Sledge lançou em 2010 o romance A arte de perder, sobre a história de amor da autora no Brasil. Flores raras e banalíssimas, livro da escritora carioca Carmen L. de Oliveira, também foi usado como base do filme Flores raras (2013), de Bruno Barreto.


Agência Estado

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