Meio Ambiente

01/12/2019 | domtotal.com

Sede da COP25, Espanha está longe de ter meio ambiente como prioridade

Segundo especialistas, o país, onde a ecologia não é uma prioridade, não é um bom aluno no tema

ONU confirma Madri como sede da 25ª Conferência sobre Mudança Climática
ONU confirma Madri como sede da 25ª Conferência sobre Mudança Climática Foto (Reuters)
A Espanha, anfitriã da cúpula climática da COP25, tem um histórico ambiental ruim
A Espanha, anfitriã da cúpula climática da COP25, tem um histórico ambiental ruim Foto (AFP)

A última pesquisa do instituto governamental CIS, de setembro-outubro, apontou que apenas 2,3% dos espanhóis consideravam que o meio ambiente fazia parte dos principais problemas do país, contra 56,9% que apontavam o desemprego ou 21,2% sobre a corrupção. Segundo especialistas, a Espanha quis causar grande efeito ao substituir subitamente o Chile como sede da COP 25. Mas o país, onde a ecologia não é uma prioridade, não é um bom aluno no tema.

Assim como outros países do sul da Europa, a Espanha não tem um partido verde no tabuleiro político e o meio ambiente foi o primo pobre da última campanha eleitoral de novembro. Não figurou nos temas abordados durante o único debate televisionado antes da votação.

"Os problemas ambientais não são uma prioridade na agenda política", lamenta Claudio Cattaneo, pesquisador de ciências ambientais na Universidade Autônoma de Barcelona.

"As desigualdades sociais são muito importantes na Espanha e portanto, a demanda política (à esquerda) é mais orientada para o direito à habitação do que para a ecologia", explicou.

Segundo uma contagem feita pela Sociedade Espanhola de Ornitologia, o meio ambiente representou apenas 0,44% dos temas abordados no Parlamento espanhol entre 2011 e 2016.

Além disso, lembra Cristina Monge, cientista política da Universidade de Saragoça, enquanto a ecologia se tornava um tema político na Europa, a Espanha "reconfigurou seu sistema de partidos políticos" após ter restabelecido a democracia depois do fim da ditadura de Franco, em 1975.

Infrações

A Espanha é, além disso, um país regularmente apontado pelas autoridades europeias por suas infrações ambientais. Segundo a Comissão Europeia, o país é o que cometeu a maioria das infrações ao direito da União Europeia sobre a questão ambiental entre 2015 e 2018, cerca de três vezes mais que a média dos países do bloco.

Em julho, Bruxelas levou particularmente à Corte de Justiça europeia o tema da "violação sistemática" pela Espanha das regras referentes às emissões de dióxido de nitrogênio. Outros processos foram iniciados sobre o tratamento de rejeitos ou águas residuais.

A fiscalização ambiental ali é uma das mais frágeis da UE, segundo a OCDE e a Comissão Europeia (braço executivo do bloco), que estima que "a Espanha ainda está longe de alcançar o objetivo da UE de reciclar 50% de seus rejeitos urbanos em 2020".

Para Claudio Cattaneo, esses atrasos no tema ambiental são provavelmente "ligados à ditadura de Franco que, em sua fase final, apostou em um desenvolvimento a qualquer preço, que continua atualmente".

O resultado é que "os setores do turismo de massa e da construção são os motores econômicos do país", juntamente com a agricultura intensiva e para estes setores, "a legislação ambiental é um problema", avalia o pesquisador.

Eólica

Mas a Espanha também tem trunfos inegáveis, afirmam especialistas. A capacidade instalada de produção de energia eólica da Espanha é a segunda maior da Europa, atrás apenas da Alemanha. Os projetos de parques solares se multiplicam para aproveitar a insolação excepcional do país.

E a Espanha se dotou depois de quinze anos de um Ministério Público especializado em crimes ambientais.

Enrique Segovia, diretor da WWF Espanha, observa, além disso, que "a Espanha tem trabalhado muito bem para a proteção de seu ambiente marinho".

Segundo a OCDE, "a parte das zonas protegidas está entre as mais elevadas" dos países-membros da organização. Paraíso de aves inscritas no patrimônio mundial, o parque de Doñana, na Andaluzia, está entre as zonas úmidas mais importantes da Europa. Mas está ameaçada pela agricultura ribeirinha e a superexploração das águas.

"A juventude acordou", aposta o diretor do Greenpeace na Espanha, Mario Rodríguez, em referência ao movimento Sextas-feiras pelo Futuro, iniciado pela adolescente sueca Greta Thunberg e o movimento Extinction Rebellion. Estas manifestações das sextas, no entanto, não mobilizaram muito a juventude na Espanha.


AFP

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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