Ciência e Tecnologia

29/11/2019 | domtotal.com

Alemanha quer proteger sua tecnologia do apetite da China

A partir de agora, será necessário notificar o governo, que terá poder de veto, de compras de mais de 10% do capital de empresas desse setor

"As empresas alemãs estão cada vez mais competindo com sistemas econômicos baseados em intervenção e protecionismo do Estado" (Gerard Julien/AFP)

O governo alemão quer reforçar o controle dos investimentos estrangeiros não europeus no setor sensível da alta tecnologia, uma medida voltada para a China, que, nos últimos anos, comprou várias empresas na Europa. O ministro da Economia, Peter Altmaier, quer estender o controle de compras a "tecnologias sensíveis", além daquelas que já existem para "infraestruturas sensíveis", disse nessa quinta-feira (28) um porta-voz do ministério.

A partir de agora, será necessário notificar o governo, que terá poder de veto, de compras de mais de 10% do capital de empresas dos setores de inteligência artificial, robótica, semicondutores, biotecnologias ou tecnologias quânticas. "Não se trata de proibir compras, mas de poder verificar em detalhes se elas afetam tecnologias críticas", explicou a pasta.

O ministro apresentará o projeto de lei durante uma coletiva de imprensa nessa sexta-feira (29) com o objetivo de entrar em vigor em outubro de 2020, disse um porta-voz à AFP. Os setores de defesa, telecomunicações, gás, eletricidade, água corrente, mídia e softwares em setores estratégicos já estão protegidos.

Nos últimos anos, várias empresas passaram a mãos chinesas, como a sueca Volvo Cars , a italiana Pirelli e as francesas Club Med, St Hubert (margarina) e Lanvin (moda). Ao todo, desde 2010, a China investiu pelo menos € 145 bilhões (R$ 668.348.249.295) na Europa, segundo dados da consultoria americana Rhodium Group.

Desde então, o ritmo dos investimentos diminuiu. Após um pico em 2016 com € 37,2 bilhões (R$ 171.465.895.681,20), os investimentos diretos da China na UE foram reduzidos para € 17,3 bilhões (R$ 79.740.860.088,30) em 2018, 45% deles no Reino Unido, na Alemanha e na França. A Alemanha e outros países europeus estão preocupados com o interesse chinês em comprar aeroportos, portos ou empresas de tecnologia na Europa.

"As empresas alemãs estão cada vez mais competindo com sistemas econômicos baseados em intervenção e protecionismo do Estado", explicou o ministro Altmaier em entrevista à agência de notícias alemã DPA. "É uma disputa injusta, que cada vez mais nossas empresas estão perdendo".

No ano passado, a Alemanha estava prestes a bloquear a compra da fabricante de máquinas Leifelt Metal pelo grupo chinês Yantai Taihai Corporation, que acabou retirando sua oferta. O endurecimento da legislação alemã recebeu críticas do mundo econômico, que teme que o país se torne menos atraente para os investidores estrangeiros.

"Investidores estrangeiros são bem-vindos na Alemanha", afirmou Altmaier. "Mas a vigilância faz parte de uma economia funcional". A China criticou a Alemanha em dezembro passado e pediu que ela criasse "acesso justo e aberto ao mercado para empresas internacionais". "Nossos investimentos não comprometem sua segurança nacional", disse o primeiro-ministro chinês Li Keqiang em julho de 2018, durante uma visita à Alemanha.


AFP

EMGE

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