Direito Direitos Humanos

30/11/2019 | domtotal.com

Governo boliviano vai denunciar em Haia o ex-presidente Evo Morales

A acusação perante o Tribunal Penal Internacional será por 'crimes contra a humanidade' cometidos durante a crise política e social que abalou o país

Morales, agora asilado no México, denunciou que a Interpol o procura na América do Sul
Morales, agora asilado no México, denunciou que a Interpol o procura na América do Sul "por crimes que não existem" (AFP)

O governo de transição da Bolívia entrará com uma ação perante o Tribunal Penal Internacional de Haia contra o ex-presidente Evo Morales por "crimes contra a humanidade" cometidos durante a crise política e social que abalou o país, anunciou nessa sexta-feira (29) o ministro do Governo. "Após a denúncia por crimes de sedição e terrorismo (que tramita no Ministério Público da Bolívia), nos próximos dias outro processo será aberto por crimes contra a humanidade em Haia", disse Arturo Murillo, ministro de Governo (Interior), para a rádio oficial Patria Nueva.

Morales, que renunciou em 10 de novembro depois de perder o apoio das Forças Armadas e em meio a uma convulsão social, é investigado por um áudio em que uma voz - que o governo assegura ser do ex-presidente - pede que cidades sejam cercadas e o fornecimento de combustível e alimentos cortado.

O ex-presidente, que governou o país por quase 14 anos, "deve responder pelo que fez e está fazendo, além de seus cúmplices", acrescentou Murillo. A Bolívia se viu abalada por manifestações violentas que deixaram pelo menos 33 mortos após as eleições de 20 de outubro em que Morales saiu vencedor, mas que depois foram anuladas por irregularidades reportadas por uma missão da OEA.

O próprio Morales, agora asilado no México, denunciou na quarta-feira (27) que a Interpol o procura na América do Sul "por crimes que não existem". O procurador de La Paz, William Alave, confirmou que a Interpol "ativou esta notificação azul, que significa que esta pessoa está sendo investigada". Mas o procurador-geral da Bolívia, Juan Lanchipa, desmentiu.

Enquanto isso, o ministro Murillo ecoou os protestos públicos de setores de direita sobre a presença no país de um grupo de ativistas de direitos humanos que chegou na quinta-feira (28) liderado pelo argentino Juan Grabois, uma referência dos movimentos sociais de seu país.

"Recomendamos que os estrangeiros que estão chegando (...) para tentar incendiar o país tenham cuidado", disse Murillo. "Não há tolerância para o terrorismo, sedição ou movimentos armados. Tolerância zero", acrescentou.

A delegação argentina tuitou: "Enquanto o governo de fato nos acusa de terroristas, começamos o que viemos fazer: testemunhar as diferentes violações dos direitos humanos que o povo boliviano está sofrendo".


AFP/Dom Total

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