Religião

02/12/2019 | domtotal.com

No advento para o Natal, papa defende presépios em locais públicos

A construção de tais cenas em praças públicas ou em propriedade do governo é contestada regularmente por ateus e grupos secularistas

A construção de tais cenas em praças públicas ou em propriedade do governo é contestada regularmente por ateus e grupos secularistas.
A construção de tais cenas em praças públicas ou em propriedade do governo é contestada regularmente por ateus e grupos secularistas. (Engel62/Pixabay)

Em um documento assinado na cidade onde nasceu o presépio, o papa Francisco, no primeiro domingo do Advento, exortou os cristãos a manter a "bela tradição familiar" de preparar essas cenas nos dias anteriores ao Natal, mas também a manter o costume de instalá-los no local de trabalho, em escolas, hospitais, prisões e praças da cidade.

Em muitos países secularizados, uma batalha pelo reconhecimento do Natal como a celebração do nascimento de Cristo está em andamento e, nos Estados Unidos, tornou-se um objeto de contenda, com presépios sendo quase proibidos para espaços internos e privados em muitos locais.

“Uma grande dose de imaginação e de criatividade sempre são mostradas ao empregar os mais diversos materiais para criar pequenas obras-primas da beleza”, escreveu Francisco. “Quando crianças, aprendemos com nossos pais e avós a seguir essa alegre tradição, que compreende uma riqueza de piedade popular. Espero que esse costume nunca se perca e que, onde quer que caia em desuso, possa ser redescoberta e revivida”.

Francisco assinou a carta apostólica Admirabile signum, sobre o significado e a importância do presépio, em 1º de dezembro na cidade italiana de Greccio, onde São Francisco de Assis, homônimo do pontífice, criou o primeiro presépio em 1223.

Na carta, ele disse que os pobres são "uma parte privilegiada" do mistério que é o nascimento do Filho de Deus em uma humilde manjedoura. Hoje, também escreveu Francisco, os pobres são frequentemente "os primeiros a reconhecerem a presença de Deus em nosso meio".

"Ao nascer em uma manjedoura, o próprio Deus lança a única verdadeira revolução que pode dar esperança e dignidade aos deserdados e marginalizados: a revolução do amor, a revolução da ternura", escreveu o papa. “Na manjedoura, Jesus proclama, de maneira mansa e poderosa, a necessidade de compartilhar com os pobres como o caminho para um mundo mais humano e fraterno, no qual ninguém é excluído ou marginalizado”.

No início do domingo, ao se dirigir aos milhares de fiéis que se reuniram na Praça de São Pedro para o seu Angelus semanal, Francisco disse que queria que a carta ajudasse os católicos a se prepararem para o Natal.

A carta foi assinada no primeiro dia do Advento, a época litúrgica que marca os dias de preparação até o Natal, 25 de dezembro.

Admirabile signum conta a história daquela primeira Natividade, que o “Pobre Homem de Assis” havia encomendado a um amigo, um carpinteiro chamado John. Como escreveu o pontífice, no dia de Natal de 1223, São Francisco rezou a missa “sobre a manjedoura, mostrando o vínculo entre a Encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Em Greccio não havia estátuas; o presépio foi representado e vivenciado por todos os presentes”.

Com a simplicidade desse gesto, segundo o papa, São Francisco realizou “uma grande obra de evangelização”, que continua hoje tocando o coração dos cristãos, oferecendo uma maneira simples, mas autêntica, de retratar “A beleza de nossa fé”.

Francisco também escreveu que a razão pela qual os cristãos estão tão comovidos com o presépio é porque é uma representação do amor de Deus pela humanidade: “o Criador do universo se abaixou para assumir nossa pequenez. O presente da vida, em todo o seu mistério, torna-se ainda mais maravilhoso ao percebermos que o Filho de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida”.

Deus Pai, escreveu o papa, fez de Jesus “nosso irmão” que veio buscar aqueles que estão confusos ou perdidos, também um amigo leal que está sempre presente.

"Deus nos deu seu Filho, que nos perdoa e nos liberta dos pecados", escreveu Francisco.

O pontífice passou a refletir sobre os diferentes elementos do presépio, desde a paisagem que deveria incluir montanhas, talvez as ruínas de algumas casas, e também córregos, ovelhas e pastores, porque “toda a criação se alegra com a vinda do Messias”.

“Ao contrário de muitas outras pessoas, ocupadas com muitas coisas, os pastores se tornam os primeiros a ver a coisa mais essencial de todas: o presente da salvação”, apontou o pontífice. "São os humildes e os pobres que recebem o evento da Encarnação."

De presença indiscutível na cena estão Maria e José, assim como o bebê Jesus, frequentemente colocados no berço de feno na véspera de Natal.

“O nascimento de uma criança desperta alegria e admiração; coloca diante de nós o grande mistério da vida”, escreveu Francisco. "Vendo os olhos brilhantes de um jovem casal olhando para seu filho recém-nascido, podemos entender os sentimentos de Maria e José que, ao olharem para o Menino Jesus, sentiram a presença de Deus em suas vidas".

Instituído em 8 de dezembro, quando as árvores e o presépio são tradicionalmente colocados em casas e igrejas, ou quando a festa da Epifania se aproxima, no início de janeiro. Também estão em cena os Três Reis, os sábios que, argumentou Francisco, deveriam convidar os cristãos a refletirem sobre o fato de que todos são responsáveis em espalhar o Evangelho.

“Cada um de nós é chamado a dar as boas-novas a todos, testemunhando por nossas obras e práticas de misericórdia a alegria de conhecer Jesus e seu amor”, escreveu Francisco.

O presépio do Vaticano está sendo montado na Praça de São Pedro no momento, e ser inaugurado em 5 de dezembro. A cena será feita inteiramente de madeira. Pelo menos 20 figuras de madeira pintadas maiores do que o tamanho real, representando a Sagrada Família, os Reis Magos, os pastores e animais, simulando a cena, que também incluirá troncos de árvores quebrados recuperados de ventos fortes como furacões e chuvas torrenciais que afetaram a região nordeste da Itália de Vicenza no final de 2018.

Publicado originalmente em: Crux


Tradução: Rámon Lara

EMGE

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