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02/12/2019 | domtotal.com

Enquanto Ouvidoria de SP pede afastamento, João Doria defende PMs

Governador lamentou as mortes de 9 pessoas após ação da polícia durante baile funk e diz que 'letalidade não foi provocada pela PM'

Doria diz que política de segurança não vai mudar após mortes em Paraisópolis
Doria diz que política de segurança não vai mudar após mortes em Paraisópolis (GOVESP)

A Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo solicitou que os policiais militares envolvidos na ocorrência que terminou com nove mortes em Paraisópolis sejam afastados do serviço operacional das ruas. O pedido foi feito em ofício encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar, que também apura as circunstâncias do caso. "A ocorrência foi desastrosa, pois acabou com tamanho número de mortes. A improvisação e a precipitação podem ter contribuído, direta ou indiretamente, para as mortes dessa tragédia", disse o ouvidor Benedito Mariano nesta segunda-feira (2).

Ao mesmo tempo, o governador João Doria disse, em entrevista coletiva, defendeu os policiais. "A letalidade não foi provocada pela Polícia Militar, e sim por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo o baile funk. É preciso cuidado para não inverter o processo",

Sobre o pedido de afastamento, Benedito Mariano explica que a medida tem caráter preventivo e visa a realocar os agentes para serviços administrativos enquanto a investigação do caso é realizada. O afastamento só pode ser determinado pelo comando da Polícia Militar, que, nesta segunda, indicou que o pedido não será atendido. "Os policiais (envolvidos no caso) não estão afastados. Eles estão preservados. Nós temos de concluir o inquérito. Não haverá açodamento de condenados anteriormente antes do devido processo legal", disse o comandante-geral, coronel Marcelo Salles.

O ouvidor reforçou que testemunhas do caso podem procurar o órgão para relatar eventuais abusos por parte dos agentes. "Os depoimentos serão encaminhados para o DHPP e para a Corregedoria solicitando que os termos sejam anexados aos procedimentos apuratórios conduzidos pelos dois órgãos, o que pode ser uma contribuição importante para as investigações", disse Mariano.

‘Uso moderado da força’

Neste domingo, seis policiais militares da Força Tática do 16º Batalhão prestaram depoimento no 89º DP (Portal do Morumbi). Ao delegado, eles repetiram versões similares. Foram acionados para apoiar uma diligência de averiguação a um veículo modelo Celta de cor preta, mas o carro não foi encontrado. Durante o deslocamento pela Avenida Hebe Camargo, na altura do cruzamento com a Rua Rudolf Lutze, ocupantes de uma moto, ao verem os policiais, efetuaram diversos disparos e adentraram na multidão que participava do baile funk.

Os disparos, contaram os policiais, iniciaram uma confusão generalizada. "Em seguida, as equipes passaram a ser hostilizadas pelos frequentadores do baile funk que arremessaram garrafas, pedras e madeira na direção dos policiais", declarou um dos agentes à polícia. Eles, então, tentaram sair do local, mas se depararam com duas viaturas danificadas pelo tumulto. "Desembarcaram para prestar apoio, no entanto havia um grande número de pessoas descontroladas, sendo necessário uso moderado da força com emprego de cassetete e munição química pelos policiais da Força Tática, do Comando 01 e 02 para dispersar a multidão."

Os policiais não relataram ter visto diretamente a confusão que levou à morte das nove pessoas. Disseram apenas que receberam a informação que as vítimas estavam desacordadas em uma viela da Rua Ernest Renan e acionaram o resgate. "Informa ainda que não efetuou nenhum disparo de arma de fogo durante o ocorrido, também não viu nenhum de seus colegas fazê-lo", descreveu o boletim de ocorrência sobre o depoimento de um dos policiais.

A Polícia Civil informou no documento que uma adolescente de 16 anos foi ferida por um disparo de arma de fogo na perna. Ela foi atendida no Hospital do Campo Limpo, mas até a tarde do domingo o projétil ainda não havia sido retirado. A polícia solicitou que o objeto passe por perícia. As armas dos policiais foram apreendidas para posterior exame balístico.

Política mantida

Doria disse ainda que os protocolos estabelecidos para a atuação da PM no Estado não sofrerão alterações, "o que não nos desobriga de reavaliar e rever pontos específicos de ação, onde falhas possam ter acontecido e, neste caso, corrigir as falhas para que elas não voltem a se suceder".

"As ações na comunidade de Paraisópolis, como em outras comunidades do Estado de São Paulo, seja pela desobediência à Lei do Silêncio, seja pela busca e apreensão de drogas, de fruto de roubo de automóveis e motocicletas, ou de outros bens, vão continuar na capital, na região metropolitana e no Estado de São Paulo. A existência de um fato não estabelece que circunstancialmente, com as alterações que devem ser feitas, não inibirão as ações de que devem ser feitas", ressaltou o governador.

Doria chamou o caso de "incidente triste" e disse transmitir aos familiares dos nove jovens mortos sua "solidariedade".

"Os procedimentos, a atitude e o comportamento da Polícia Militar, ou seja, o programa de Segurança Pública no Estado de São Paulo não muda. Não vai mudar", disse Doria, falando pausadamente a última frase de forma a enfatizar cada palavra. "O governador está sendo muito claro: não vai mudar", enfatizou mais. "Procedimentos de ação operacionais podem ser revistos. Aliás, devem ser revistos constantemente, para serem aperfeiçoados e melhorados, evitando erros."



Agência Estado /Dom Total

EMGE

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