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09/12/2019 | domtotal.com

Venezuela perde suas belezas

Que mais dizer da Venezuela de hoje? Virou o quê?

Hoje, as imagens que o país remete ao mundo refletem uma gente feia, revoltada, cruzando fronteiras para fugir do regime bolivariano
Hoje, as imagens que o país remete ao mundo refletem uma gente feia, revoltada, cruzando fronteiras para fugir do regime bolivariano (REUTERS/Carlos Garcia Rawlins)

Afonso Barroso*

Mesmo sem nunca ter ido lá, tenho boas lembranças da Venezuela dos tempos que precederam o madurismo. Parecia um país nórdico engastado nos mares da América Latina.

Lembro-me das fotos de um complexo de viadutos em Caracas. Obra monumental de engenharia urbana à imagem e semelhança de coisas das grandes cidades norte-americanas. Também me lembro de relatos sobre o preço irrisório da gasolina venezuelana, onde o petróleo tornou-se propriedade exclusiva do Estado e serviu de moeda de troca do apoio popular. No Brasil, pagava-se um litro de gasolina com alguns cruzeiros, enquanto lá podia-se encher o tanque com alguns centavos.

Mas o que me encantava mesmo eram as mulheres venezuelanas. Eram sempre as mais lindas entre todas as candidatas latinas dos concursos de Miss Universo. Não foi por acaso que a Venezuela conquistou a coroa um punhado de vezes – sete, se não me engano.

Virou o quê hoje a Venezuela? Cadê as mulheres bonitas da Venezuela? Parece que elas se enfearam, desbotaram, perderam o viço, o que leva a crer que as ditaduras fazem mal até mesmo à beleza feminina.

Quem passar hoje por um bairro classe média de Caracas provavelmente vai vislumbrar uma ou duas silhuetas de mulher bonita atrás de uma cortina nas janelas envidraçadas. Mas dificilmente verá uma delas na rua, a se arriscar entre as milícias do bolivarianismo que a tudo vigiam. A beleza, certamente, está sendo tributada como mercadoria supérflua.

O presidente Hugo Chavez teve ao menos o mérito de prestigiar os concursos de miss, que batiam recordes de audiência na tevê, porque considerava “revolucionária” a beleza da mulher venezuelana. Mas o certo é que, após o madurismo, inúmeras e belas jovens resolveram emigrar para tentar a sorte no exterior. Um exemplo é a belíssima Andrea Díaz, que desde adolescente participava de concursos de beleza e resolveu ir embora. Acabou elegendo-se Miss Chile. Outro exemplo é a jovem Jessica Russo, que foi miss Venezuela e acabou se mandando para o Peru, onde ganhou o concurso de miss e representou o país no Miss Mundo, realizado nas Filipinas. Nesse mesmo concurso, outra venezuelana, Francelis Carolina, representou a Espanha.

Hoje, as imagens que o país remete ao mundo refletem uma gente feia, revoltada, cruzando fronteiras para fugir do regime bolivariano. Em Roraima, jovens venezuelanas que vieram buscar refúgio e paz se prostituem pra ganhar alguns reais. E agora surgem os navios negreiros, que não vêm da África, mas dos poços de petróleo venezuelanos. Passam pela costa brasileira para despejar nas praias nordestinas outro tipo de negros que não são escravos. São a graxa e o petróleo bruto que grudam na areia e na pele. Um desses navios fantasmas causou um desastre ecológico de grandes proporções, provocando a interdição de praias dos estados nordestinos, e até do Espírito Santo, com prejuízos incalculáveis para o turismo.

Que mais dizer da Venezuela de hoje? Do desespero de uma gente sofrida nas filas dos postos de saúde em busca de remédios que não aparecem? Da escassez de alimentos nas prateleiras vazias dos supermercados? Da inflação de seis dígitos ao ano?

O certo é que a Venezuela tornou-se um vizinho incômodo, indesejável, exportador de gente. Vou assistir ao próximo concurso de miss pra saber se sobrou alguma venezuelana bonita do regime de seu Maduro

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor



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