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06/12/2019 | domtotal.com

Doria se diz chocado com vídeo de agressão de PM e aceita criar comissão

Na segunda ele havia defendido atuação policial em Paraisópolis, onde nove pessoas morreram no fim de semana

Nessa quinta-feira, o governador de São Paulo admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de revisar protocolos das polícias
Nessa quinta-feira, o governador de São Paulo admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de revisar protocolos das polícias (Ronaldo Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), vai criar uma comissão externa, formada por membros da sociedade civil, para acompanhar a investigação da operação da Polícia Militar que terminou com nove jovens pisoteados e mortos no baile funk em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, no fim de semana. A proposta era uma reivindicação de familiares de vítimas da tragédia e de órgãos de direitos humanos, que foram recebidos por Doria na noite de quarta-feira (4).

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A reunião aconteceu após centenas de pessoas marcharem de Paraisópolis até o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, em protesto para pedir apuração rápida da tragédia e também punição aos responsáveis. Por enquanto, a versão sobre os fatos são conflitantes. A PM relata que o tumulto começou após dois suspeitos em uma moto atirarem contra policiais e irem se esconder no baile funk. Já os moradores afirmam que foi a própria PM que teria provocado a tragédia ao tentar realizar uma dispersão truculenta no pancadão. Na segunda-feira (2), a gestão Doria decidiu afastar das ruas seis policiais militares que participaram da ação.

"A comissão externa e independente é a nossa conquista mais importante até o momento", diz Dimitri Sales, presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), um dos participantes do encontro. "É uma forma de assegurar que a investigação vai a fundo e não ficará restrita a corporativismos ou nenhuma pressão externa."

Segundo Sales, a comissão vai poder requerer intimação de testemunhas para serem ouvidas no inquérito e também fazer análise de relatórios produzidos pela investigação policial. O caso é apurado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e pela Corregedoria da PM. Outras prerrogativas serão convidar especialistas para discutir laudos e até mesmo sugerir quesitos que devem ser respondidos nas perícias. "A sociedade passa a ser um sujeito ativo no processo investigatório", afirma.

De acordo com Sales, a comissão será formada por um representante da família de cada vítima, além de dois líderes comunitários e de representantes do Condepe e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - órgãos que estavam presentes no encontro. O nome dos representantes ainda não foi definido.

A reunião no Palácio dos Bandeirantes durou cerca de duas horas e teve a participação, ainda, de integrantes do governo Doria. Entre os presentes, também estava o secretário da Segurança Pública, o general João Camilo Campos, responsável por chefiar as polícias de São Paulo. "No encontro, o governador ouviu relatos de duas mães que perderam seus filhos e reiterou o compromisso de rigor e transparência em relação a investigação das mortes ocorridas na madrugada de domingo", diz nota do governo.

Uma nova reunião foi marcada para a próxima segunda-feira (9) e a previsão é que representantes de todas as famílias de vítimas participem. Na ocasião, a comunidade também deve apresentar pautas como a "não criminalização do funk" e outras questões de Paraisópolis.

"Fizemos um acordo de melhoria do diálogo com o governo, buscando uma articulação pela paz, e a criação de uma agenda positiva, com programas e projetos que pudessem beneficiar os jovens principalmente na área da cultura", afirma o líder comunitário Gilson Rodrigues. Entre as reivindicações está a abertura do Parque Paraisópolis, canalização de córrego na comunidade e instalação de unidade de saúde para atender dependentes químicos.

Chocado

Após a morte dessas nove pessoas em Paraisópolis, a gestão João Doria quer usar drones e câmeras nas fardas dos policiais militares para filmar todas as operações realizadas em São Paulo. O governador disse, ainda, ter se chocado ao assistir um vídeo de agressão no baile funk da comunidade e admitiu, pela primeira vez, nessa quinta-feira (5), a possibilidade de revisar protocolos das polícias.

Na segunda-feira (2), logo após a tragédia, Doria havia declarado que os procedimentos da PM seriam mantidos e defendeu a ação dos agentes em Paraisópolis, embora a versão oficial seja contestada por moradores de Paraisópolis. Três dias depois, no entanto, o governador evitou fazer críticas aos pancadões e admitiu a possibilidade de ajustes na conduta policial.

"Se existirem falhas e elas forem apontadas, aqueles que falharam serão punidos", afirmou, em evento no Palácio dos Bandeirantes. "Independentemente disso, a Polícia Militar e a Polícia Civil já foram orientadas a rever protocolos e identificar procedimentos que possam melhorar e inibir, senão acabar, com qualquer perspectiva da utilização de violência e de uso desproporcional de força."

Na ocasião, o governador anunciou a entrega de mais 100 drones para a PM e de um "antidrone", equipamento que inutiliza drones invasores e que deverá ser usado em um presídio da Grande São Paulo. No evento, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, o general João Camilo Pires de Campos, também afirmou que, entre os usos, pretende empregar os equipamentos para gravar ações policiais.

"Todas aquelas operações que estão planejadas ou em curso serão gravadas, porque isso, acima de tudo, protege a ação do policial e esclarece àqueles que estão no comando se há alguma possibilidade de ajuste ou não", afirmou o secretário. Segundo o general, a SSP pretende, ainda, usar câmeras nas viaturas e body cams (câmeras que ficam instaladas na farda do policial) para fazer as filmagens. Para a gestão Doria, o uso dessas tecnologias poderia ter evitado, por exemplo, o conflito de versões em Paraisópolis. 


Agência Estado/Dom Total



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