Economia

11/12/2019 | domtotal.com

Desmatamento zero e desenvolvimento sustentável na Amazônia são possíveis, diz Ipam

Estudo mostra ser possível desenvolvimento sustentável da região, alvo da cobiça do governo federal

Desmatamento avança no governo Bolsonaro
Desmatamento avança no governo Bolsonaro (Divulgação Greenpeace)

O melhor uso das terras da Amazônia a partir de quatro estratégias coordenadas pode levar à coexistência de desmatamento zero e desenvolvimento sustentável na região, apontou nesta quarta-feira (11) estudo elaborado pelo Instituto Ambiental de Pesquisa da Amazônia (Ipam).

A pesquisa, desenvolvida ao lado de membros do norte-americano Woods Hole Research Center, sugere ações em terras públicas submissas à grilagem, áreas privadas com forte concentração de vegetação nativa, propriedades de médio e grande porte e áreas de produção familiar.

O estudo propõe a eliminação da grilagem pela ação de governos federal e estaduais, sugerindo também que se evite o desmatamento legal de 28 milhões de hectares de mata nativa presentes em propriedades privadas, através especialmente de pagamentos por serviços ambientais (PSA), item do Código Florestal ainda não regulamentado.

O PSA trata-se de um método de incentivo à preservação que remunera direta ou indiretamente quem realiza tais serviços. Segundo o estudo, seu uso geraria rendimentos extras aos produtores e livraria as cadeias de commodities do desmatamento.

Além disso, Ipam e Woods Hole Research Center sugerem o incentivo ao aumento da produtividade em propriedades médias e grandes, a partir de investimentos e créditos direcionados, e a promoção de melhorias econômicas e sociais à produção familiar via assistência técnica rural.

"As estratégias são interdependentes: temos de destinar áreas não designadas ao mesmo tempo que nos esforçamos para reduzir o desmatamento nas propriedades, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida", disse em nota Marcelo Stabile, pesquisador do Ipam.

"(Isso) pressupõe promover investimentos inteligentes no campo, manter e fortalecer as políticas ambientais existentes no país e acabar com o desmatamento ilegal, como exigido no Acordo de Paris", acrescentou o diretor-executivo do Ipam, André Guimarães.

Segundo o instituto, os assentamentos somam 77 milhões de hectares na Amazônia, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas.




Reuters

EMGE

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