Religião

20/12/2019 | domtotal.com

O homem-Deus escândalo

Jesus Cristo é causa de escândalo, no seu tempo e em nossos dias

Jesus é motivo de escândalo não porque ele seja a pedra de tropeço, mas porque sua palavra provoca, exigindo uma postura firme de adesão ou rejeição
Jesus é motivo de escândalo não porque ele seja a pedra de tropeço, mas porque sua palavra provoca, exigindo uma postura firme de adesão ou rejeição (Bartosz Bąk/ Unsplash)

Tânia da Silva Mayer*

As imagens e narrativas sobre Jesus pululam a cada dia. E essas não se restringem apenas aos meios religiosos, de modo que, vez ou outra, são evocadas em ambientes seculares. O fato é que essas imagens e narrativas chegam a ser tão diferentes e plurais que muitas delas acabam por divergirem entre si.

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Diante desse fato, a teologia deve se ocupar dessas imagens e narrativas, não com a tarefa de censurá-las, mas com o dever contínuo de voltar às narrativas sagradas da fé e perceber em quais medidas elas se fazem à revelia dos Evangelhos, das imagens e narrativas empreendidas por eles para a catequese das primeiras comunidades e das atuais.

Sem entrar no mérito da análise dessas imagens plurais e diversas, gostaríamos de evocar uma que certamente converge com o Jesus Cristo dos Evangelhos, a partir de tudo aquilo que ele fez e anunciou. Desse modo, podemos dizer de Jesus Cristo que ele é causa de escândalo, no seu tempo e em nossos dias. Precisamente, o apóstolo Paulo é quem ensina à comunidade que o homem Jesus morto crucificado e ressuscitado é causa de loucura e escândalo, para gregos e judeus.

O escândalo era compreendido precisamente como uma pedra de tropeço, que impedia, de certo modo, uma pessoa de seguir seu caminho. Veremos que Jesus exorta seus discípulos a não se tornarem essa pedra, de forma que pudessem impedir outras pessoas de progredirem na fé. Certamente, essa não seria uma qualidade desejável para quem gozava da companhia do Mestre.

Por isso, podemos entender que Jesus é motivo de escândalo não porque ele seja a pedra de tropeço, mas porque sua palavra provoca, e provocava, de tal modo que exige uma postura firme de adesão ou rejeição daqueles que se confrontam com ele. Desse modo, Jesus é um escândalo porque fere a moral e os bons costumes daquela gente de bem piedosa que preferiu a lei e abdicou do exercício do amor e da justa justiça.

Então, pode-se dizer de Jesus que sua vida é inteira uma antecipação da lei e, nesse sentido, completa vivência do amor e da justa justiça. No encontro com o outro, ele olha para além das aparências e promove a dignidade da vida, sem discriminações e preconceitos. Precisamente, é essa anterioridade na prática de relações de reconhecimento que ainda hoje a pessoa de Jesus Cristo choca e desconcerta religiosos e não religiosos. E é essa anterioridade no amor que faz dele um homem-Deus escândalo, sobretudo em nossos tempos de muito piedade e ódio.

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.

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