Cultura

09/01/2020 | domtotal.com

Luz del Fuego e as curvas de Santos

Vou torcer para que a moça de meneios mais afinados com os novos tempos irrigue meu cérebro

A vedete brasileira Luz del Fuego em 1945
A vedete brasileira Luz del Fuego em 1945 (Jean Manzon/ Wikimedia)

Ricardo Soares*

Mesmo sob o céu de São Paulo sem garoa, a moça irriga meu cérebro como um rebolado de Luz del Fuego, um meneio de coxas de Elvira Pagã ou qualquer outra vedete mais recente que faça ferver os nervos, muito embora saiba-se que o termo vedete não é mais usado. Então vou torcer para que a moça de meneios mais afinados com os novos tempos irrigue meu cérebro, como um poema inédito de Fernando Pessoa, nesse céu sem garoa, onde os ponteiros vão ser de novo ajustados para um novo ano que começa.

Lá fora o cenário continua o mesmo e não vou aqui desolar as perspectivas otimistas dos que resolveram me ler com boa vontade em 2020. Resta a todos nós seguir tentando apagar a foto que não deu certo, tentando achar pepitas embaixo de lajotas toscas, torcendo para que a delicadeza , educação e civilidade voltem com urgência.

O que nos cabe é fugir de um país que resvala a demência, normatiza o discurso do ódio e difunde o falso como verdadeiro. Não estamos, faz tempo, falando de ideologias, mas de civilização versus barbárie. A garoa foge do cenário paulistano. Apesar de pouco dinheiro, alguns gozam de férias merecidas na esperança de que, ao voltarem das curvas da estrada de Santos, acaso numa curva a gente não pise tão fundo pra não se desgovernar como o nosso desgoverno vem fazendo.

*Ricardo Soares é diretor de TV, roteirista, escritor e jornalista.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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