Ciência e Tecnologia

08/01/2020 | domtotal.com

O brasileiro adora Matemática

Há interesse e talento do brasileiro pela disciplina, mas falta acolhida, direcionamento e estímulo do estudante

A EMGE lançou, no início de 2019, o Campeonato Estadual de Matemática (CEM) para escolas públicas de ensino médio de Minas Gerais
A EMGE lançou, no início de 2019, o Campeonato Estadual de Matemática (CEM) para escolas públicas de ensino médio de Minas Gerais (Antoine Dautry/ Unsplash)

Aline Oliveira*

“Matemática é difícil e, se pudessem, os alunos das escolas brasileiras fugiriam da matemática de todas as formas”. Embora muita gente pense assim, na verdade, a Matemática está se tornando cada vez mais popular e acessível no Brasil. Dados do questionário aplicado aos estudantes que participaram do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), em 2017, mostram que 57,8% dos alunos gostam de estudar Matemática. Ou seja, mais da metade dos estudantes aprecia e tem potencial e afinidade para a área de exatas.

O estudo da Matemática vive um momento de expansão no Brasil e vem ganhando impulso com a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP). Realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e promovida pelo Ministério da Educação (MEC), a OBMEP bate recorde de inscrições a cada ano. Tive a oportunidade de participar da aplicação da primeira prova da OBMEP em 2005 e me lembro como o procedimento ainda era simplificado e restrito a um pequeno número de escolas em Belo Horizonte. Em 2019, na 15ª edição, a Olimpíada recebeu mais de 18 milhões de inscrições em todo o Brasil e se tornou uma referência mundial.

No setor de pesquisa, inclusive, o Impa, sediado no Rio de Janeiro, foi responsável por colocar, em 2017, o Brasil no G5, o grupo de elite da Matemática mundial, e por formar Artur Ávila, que recebeu em 2014 a maior honraria concedida a um matemático, a Medalha Fields, considerado o “Nobel” da área.

Essas conquistas recentes são de brasileiros, hoje pesquisadores já formados. E sabe quem pode ocupar o lugar deles daqui a 10 ou 20 anos? Os jovens que hoje cursam o ensino médio ou o superior. Pode ser você, seu filho ou o seu neto.

Mas há um problema no meio do caminho da Matemática brasileira. Os resultados do mesmo Saeb mostram que, de cada 100 alunos que ingressam na escola, apenas 59 concluem o ensino médio. E desses 59, apenas 7,3% tem aprendizagem adequada em Matemática. Ou seja, há interesse e talento. O que falta é acolhida, direcionamento e estímulo para que os estudantes interessados nessa área possam materializar seu potencial em conhecimento desenvolvido, aplicação prática e resultado econômico e social.

A Matemática é tão antiga quanto a civilização. Surgiu da necessidade de se contar, medir e descrever as formas dos objetos. Sob o estímulo das necessidades de atividades práticas, sobretudo do comércio e da agricultura, a Matemática se desenvolveu muito além da contagem básica, por meio do raciocínio lógico e do cálculo quantitativo. Desde o século 17, tem se mostrado indispensável ao crescimento das ciências físicas e tecnológicas e, mais recentemente, às ciências da vida. A Matemática é uma ciência que está na base do desenvolvimento de um país.

Pensando nisso, a EMGE – Escola de Engenharia lançou, no início de 2019, o Campeonato Estadual de Matemática (CEM) para escolas públicas de ensino médio de Minas Gerais. Encerrado em 5 de outubro, o CEM é um campeonato de contextualização da Matemática aplicada a questões do dia a dia, de forma lúdica, divertida e interessante para os jovens. Mais de 2 mil estudantes de todo o estado se inscreveram na competição, estimulados pelos prêmios: a dupla classificada em primeiro lugar vai visitar a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana), nos EUA, e a dupla vice-campeã conhecerá o Museu Aeroespacial Brasileiro, em São José dos Campos (SP). A experiência, que deve ser repetida em 2020, auxilia os professores a reconhecer e a potencializar os estudantes que possuem o gosto pela Matemática.

Somos melhores em Matemática do que podemos imaginar. Temos talentos “escondidos” em sala de aula e dentro de casa. Na escola, é importante dar atenção aos estudantes que têm dificuldade e impulsioná-los ao crescimento. Mas não podemos perder a oportunidade de identificar e estimular mentes brilhantes. São elas que farão a diferença no futuro.

*Aline Oliveria é * professora da EMGE – Escola de Engenharia



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