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10/01/2020 | domtotal.com

Cerveja pode ter provocado doença misteriosa que matou uma pessoa em Minas

Dietilenoglicol encontrado em garrafas da cerveja Belorizontina pode estar relacionado à morte de uma pessoa e à internação de outras sete

Nos oito casos, o diagnóstico é de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas graves.
Nos oito casos, o diagnóstico é de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas graves. Foto (Backer/Divulgação)
Nos oito casos, o diagnóstico é de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas graves.
Nos oito casos, o diagnóstico é de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas graves. Foto (Backer/Divulgação)

Uma doença ainda não identificada matou uma pessoa e mantém outras sete internadas em hospitais da capital mineira e da região metropolitana de Belo Horizonte. Laudo da Polícia Civil de Minas Gerais divulgado nesta quinta-feira, 9, apontou a presença da substância dietilenoglicol em garrafas da cerveja Belorizontina, da marca Backer, produzida na capital mineira. As investigações, conforme a corporação, continuam, mas existe a possibilidade de a substância estar relacionada à morte de uma pessoa e à internação de outras sete em hospitais da capital e Grande Belo Horizonte. A fabricante recolheu lotes da bebida.

O Ministério da Saúde foi acionado e atua junto às autoridades de vigilância sanitária de Minas Gerais nas investigações sobre possíveis causas. Nos oito casos, o diagnóstico é de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas graves. O paciente que morreu e os que seguem internados são homens com idades entre 23 e 76 anos. Os sintomas, em pelo menos parte do grupo, começaram no dia 19 de dezembro de 2019.

A análise da Polícia Civil foi feita em garrafas da bebida recolhidas na residências de pessoas contaminadas, no bairro Buritis, Região Oeste de Belo Horizonte. Todas apresentaram insuficiência renal aguda e alterações neurológicas graves.

Na tarde desta quinta, a Polícia Civil esteve na fábrica da cervejaria, no bairro Olhos d'água, na Região Oeste da cidade. Os lotes a que as garrafas pertenciam foram identificados como os de números L1 1348 e L2 1348. Não há informação sobre o destino dos lotes. O Procon orienta consumidores do produto que tenham adquirido a cerveja recentemente a conferir as garrafas que possam ter em casa e, se verificarem que pertencem a esses dois lotes, que entreguem as unidades às autoridades de vigilância sanitária. O Procon classifica a situação como "grave" e afirma que os consumidores estão expostos a riscos.

Dietilenoglicol

O efeito do dietilenoglicol no corpo humano é compatível com os sintomas apresentados nos quadros de saúde das vítimas. Vômito, dores abdominais e irritação no trato gastrointestinal. A substância pode provocar lesões nos rins e fígado. A substância pode ser encontrada, por exemplo, para refrigeração de equipamentos utilizados na produção industrial. No caso das cervejarias, pode estar presente em serpentinas.

O superintendente de Polícia Técnico-Científica de Minas, Thales Bittencourt, afirma não ser possível informar, no momento, os motivos que levaram a substância a ser encontrada na cerveja. "Podemos afirmar apenas que estavam nestas amostras", pontuou. Bittencourt afirmou que as autoridades de vigilância sanitária já foram comunicadas do resultado do laudo. Até o momento, segundo o Procon, que participa da força-tarefa montada para averiguar o que provocou a morte e as internações, não existe a possibilidade de se confirmar responsabilidade da Backer na contaminação dos lotes. 

Segundo o delegado Flávio Grossi, responsável pelas investigações, as apurações vão levar tempo. O inquérito aberto tem prazo de 30 dias para conclusão.

Resposta da cervejaria

"Após entrevista coletiva nesta tarde, a Polícia Civil divulgou laudo informando que a substância dietilenoglicol foi identificada em duas amostras da cerveja Belorizontina, recolhidas na casa de clientes. Vale ressaltar que essa substância não faz parte do processo de produção da cerveja, fabricada pela Cervejaria Backer.
Por precaução, os lotes em questão - L1 1348 e L2 1348 - citados pela Polícia Civil, e recolhidos na residência dos consumidores, serão retirados imediatamente de circulação, caso ainda haja algum remanescente no mercado.
A Cervejaria Backer continua à disposição das autoridades para auxiliar no que for necessário até a conclusão das investigações."


Agência Estado e DomTotal



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