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10/01/2020 | domtotal.com

Diretor de '1917', Sam Mendes conta sobre os desafios de gravar seu novo filme

Cineasta britânico conta que longa é sua obra mais pessoal e foi inspirada em seu avô

Cenas do premiado longa foram gravadas depois de meses de ensaios
Cenas do premiado longa foram gravadas depois de meses de ensaios (IMDB)

Ganhar os prêmios de melhor drama e melhor diretor no Globo de Ouro no domingo (5), surpreendeu muitos, inclusive o próprio diretor, Sam Mendes. O cineasta britânico confessa que nunca antes escrevi o roteiro de um de seus filmes e diz que 1917 é "inegavelmente" sua obra mais pessoal.  

Inspirado na vida de seu avô, que serviu ao Exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial, 1917 tem roteiro escrito por ele, depois de dirigir as duas últimas sagas de James Bond: 007 - Operação Skyfall e 007 contra Spectre.

"Isso vem diretamente de mim, embora eu tenha a impressão de que todos os filmes têm algo pessoal", acrescenta o diretor de Beleza americana, de 54 anos, em entrevista em Paris antes da festa do Globo de Ouro.

Seu avô, encarregado de entregar mensagens no front durante a Primeira Guerra Mundial, contou a ele uma história específica. "Ele teve que passar uma mensagem através de 'uma terra de ninguém'. Ele se tornou a base da fita. Então, tudo foi inventado ou baseado em histórias reais de guerra, testemunhos, cartas e diários de outras pessoas".

1917 conta a história de dois soldados, Schofield (George MacKay, de Capitão Fantástico) e Blake (Dean Charles Chapman, intérprete de Tommen Baratheon em Game of thrones). Ambos assumem a perigosa missão de entregar uma mensagem em tempo recorde para impedir um ataque contra os alemães, no qual centenas de soldados correm risco de morte, incluindo o irmão de Blake.

Para mergulhar o espectador diretamente no inferno da guerra, deixá-lo mais próximo possível desses dois soldados e em tempo real, Mendes contou com o diretor de fotografia Roger Deakins (indicado ao Oscar em 2018 por Blade Runner 2049) para conceber um filme com uma única sequência plana de duas horas.

Na verdade, esses são vários planos montados juntos para dar a impressão de que é uma única cena. Essa particularidade não ficou isenta de complicações: cada tomada teve que ser preparada com antecedência para que a câmera pudesse acompanhar todos os movimentos dos personagens, sem ter que recorrer posteriormente a cortes na montagem ou elipses temporários.

Desafio técnico

"Foi um processo muito longo porque tivemos que estudar a rota com os atores passo a passo, antes de montar o cenário. Tínhamos que saber a distância exata necessária para cada cena", lembra Mendes, acrescentando que foram meses e meses de ensaio. "epois construímos os cenários, ensaiamos novamente e construímos novamente".

"Tivemos que conseguir que a câmera fizesse o que queríamos, sem nenhum esforço aparente. Isso envolveu cabos, guindastes, carros, motocicletas ...", conta, detalhando que eles até inventaram uma câmera para a ocasião, capaz de gravar em "os buracos, trincheiras e pequenos espaços".

A ideia surgiu com a primeira cena de Spectre, uma famosa sequência de vários minutos gravada no México durante a Fiesta de los Muertos. "Mas a razão desse desafio técnico é que ele queria para que o público pudesse se conectar emocionalmente com os personagens principais e sempre ficar ao seu lado, para ter a impressão de que estava com eles a cada segundo", explica.


AFP/Dom Total



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