Religião

13/01/2020 | domtotal.com

Bento XVI teria rompido silêncio sobre celibato após sínodo

Sínodo da Amazônia propõe que casados possam ser padres, mas Bento XVI e cardeal Sarah saem em defesa do celibato

Sínodo propôs ordenações de homens casados para regiões remotas da Amazônia
Sínodo propôs ordenações de homens casados para regiões remotas da Amazônia (Vatican Media)

Em um novo livro escrito em pareceria com um cardeal conservador, o papa emérito Bento XVI defendenderia o celibato do clero da Igreja Católica, o que pareceu ser um apelo calculado para o papa Francisco não mudar as regras.

Bento XVI teria escrito o livro Do fundo de nossos corações com o cardeal Robert Sarah, prelado de Guiné de 74 anos que comanda a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano.

Trechos foram publicados no domingo no site do jornal francês Le Figaro. O Vaticano não comentou de imediato o livro, que deve ser lançado nesta segunda-feira.

Em outubro, o documento final do Sínodo dos Bispos para a Amazônia propôs que homens casados da região remota possam ser ordenados como padres, o que provocaria uma mudança histórica na disciplina do celibato vigente há séculos na Igreja.

O papa Francisco a cogitará, assim como muitas outras propostas sobre questões que emergiram durante o sínodo, incluindo o meio ambiente e o papel das mulheres, em um documento de sua autoria, conhecido como Exortação Apostólica, que deve ser publicado em poucos meses.

Em 2013, quando se tornou o primeiro papa a renunciar em 700 anos, Bento XVI, que mora no Vaticano e está com 92 anos e saúde frágil, prometeu se manter "escondido do mundo".

Mas ele deu entrevistas, escreveu artigos e contribuiu com livros, na prática rompendo a promessa e animando os conservadores – alguns dos quais não reconhecem a legitimidade de Francisco.

Massimo Faggioli, teólogo da Universidade Villanova dos Estados Unidos, considerou o livro, caso seja de autoria de Bento, "uma violação grave" do antigo pontífice, que prometeu "reverência e obediência incondicional" ao sucessor.

Em sua parte do livro, Bento XVI diria que o celibato, que se tornou uma tradição estável na Igreja somente cerca de 1 mil anos atrás, tem "grande significado" porque permite que um padre se concentre em sua vocação. Ele diria que "não parece possível cumprir as duas vocações (o sacerdócio e o casamento) simultaneamente".

Em uma introdução que consta a assinatura conjunta, os dois clérigos dizem que não poderiam silenciar a respeito do sínodo de outubro, que em alguns momentos provocou choques entre veículos de mídia católicos progressistas e conservadores, sublinhando a polarização na Igreja de 1,3 bilhão de fiéis.

A proposta sugere que homens casados mais velhos que já são diáconos da Igreja, têm um relacionamento familiar estável e são líderes comprovados de suas comunidades sejam ordenados depois de uma formação adequada.

Posição de Francisco

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, divulgou a seguinte declaração respondendo a jornalistas sobre a visão de Francisco

“A posição do santo padre sobre o celibato é conhecida. No decorrer da coletiva com os jornalistas de regresso do Panamá, o papa Francisco afirmou: “Vem-me à mente aquela frase de São Paulo VI: ‘Prefiro dar a vida antes que mudar a lei do celibato’”. E acresentou: “Pessoalmente, penso que o celibato é uma dádiva para a Igreja. (...) Não estou de acordo com permitir o celibato opcional. Haveria qualquer possibilidade apenas nos lugares mais remotos; penso nas ilhas do Pacífico... (...) Haveria necessidade pastoral, e o pastor deve pensar nos fiéis”.

Ao invés, a respeito do modo como este argumento se insere no trabalho mais amplo do recente sínodo sobre a região pan-amazônica e a sua evangelização, durante a sessão conclusiva, o santo padre afirmou: “Fiquei muito feliz por não termos caído prisioneiros desses grupos seletivos que do sínodo só quererem ver o que foi decidido sobre este ponto intra-eclesial ou sobre esse outro, e negarão o corpo do sínodo que são os diagnósticos que fizemos nas quatro dimensões.” (Pastoral, cultural, social e ecológica).


Atualização: 14/01/2020, 11:16


Reuters/ Vatican Media



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