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14/01/2020 | domtotal.com

Pressionado, Irã anuncia prisões por queda de avião

O presidente Hassan Rohani afirmou que seu país deve punir todos os responsáveis pela tragédia

Presidente iraniano, Hassan Rohani, em 14 de janeiro de 2020
Presidente iraniano, Hassan Rohani, em 14 de janeiro de 2020 (IRANIAN PRESIDENCY/AFP)

O Irã anunciou prisões, nesta terça-feira (14), no âmbito da investigação da catástrofe do avião civil ucraniano que foi abatido por engano, um caso que provocou indignação no país e levou a uma terceira noite de protestos.

Depois de primeiro negar a hipótese de um míssil iraniano por trás da queda do avião da Ukrainian International Airlines, Teerã admitiu no sábado sua responsabilidade, evocando um "erro humano". Também denunciou o "aventureirismo americano" neste drama.

As 176 pessoas a bordo morreram logo após sua decolagem da capital, em 8 de janeiro.

O anúncio da responsabilidade iraniana provocou uma onda de condenação no país. Vídeos postados nas redes sociais mostram há três dias manifestações pontuadas por palavras de ordem hostis às autoridades, incluindo o clero xiita. A AFP não obteve a confirmação independente da autenticidade desses vídeos.

Ligada aos ultraconservadores, a agência de notícias Fars informou que os manifestantes gritaram no domingo "Morte ao ditador!" e cantaram slogans contra Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano.

"Uma vasta investigação foi realizada, e pessoas foram presas", anunciou o porta-voz da Justiça, Gholamhossein Esmaili, em coletiva de imprensa televisionada, sem especificar o número de presos.

"O mundo inteiro observa"

O presidente Hassan Rohani afirmou que seu país deve punir todos os responsáveis pela tragédia.

"Para o nosso povo, é muito importante neste acidente que qualquer pessoa que tenha cometido uma falta ou negligência em qualquer nível" seja processada, disse em um discurso televisionado.

O general de brigada Amirali Hajizadeh, comandante do setor aeroespacial da Guarda Revolucionária, assumiu no sábado "total responsabilidade" pela tragédia, enquanto disse que o soldado encarregado de atirar agiu sem ordem.

Rohani considerou impossível "que apenas a pessoa que apertou o botão tenha culpa. Existem outras, e quero que isso seja explicado claramente ao povo".

Para isso, Rohani pediu a formação de um "tribunal especial com juízes do alto escalão e dezenas de especialistas".

"O mundo inteiro vai assistir", alertou.

A maioria das vítimas era iraniana e canadense, mas também havia suecos, britânicos e afegãos.

O Canadá criou um grupo com os países que perderam cidadãos no acidente e que se reunirão na quinta-feira, em Londres, para obter acesso consular, organizar o repatriamento dos restos mortais e solicitar uma investigação transparente de Teerã.

Mantendo a pressão sobre o Irã, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, também apontou os Estados Unidos, dizendo na segunda-feira que, sem a recente escalada das tensões regionais entre Washington e Teerã, os 176 passageiros do Boeing ucraniano ainda estariam vivos.

O desastre ocorreu no auge das tensões entre os dois inimigos, após o assassinato de um poderoso general iraniano por um drone americano, em 3 de janeiro, em Bagdá.

À morte de Qassem Soleimani, chefe das operações estrangeiras do Irã, seguiram-se, em 8 de janeiro, disparos de mísseis iranianos, sem deixar vítimas, contra duas bases militares usadas pelo Exército americano no Iraque. A ofensiva de Teerão foi lançada algumas horas antes da tragédia do voo PS752.

"Todas as causas"

Voltando a esse ponto, Rohani disse nesta terça-feira que "a raiz de todos os males" é "a América".

"No entanto, isso não pode ser uma razão para não procurarmos todas as causas" do drama aéreo, ressaltou.

O presidente iraniano também anunciou que pediu explicações sobre a demora das autoridades em revelar as verdadeiras causas da tragédia.

"Eles devem explicar todo o processo para o povo", exigiu, acrescentando que "o mais importante, na minha opinião, é que nosso povo tenha certeza de que esse acidente não se repetirá".

O Irã convidou especialistas do Canadá, França, Ucrânia e Estados Unidos para participarem da investigação.

Na noite de segunda-feira, o Conselho de Segurança dos Transportes do Canadá (TSB) disse que seus investigadores, que logo chegariam ao Irã, teriam acesso aos destroços e às caixas-pretas da aeronave.

"Há sinais de que o Irã permitirá que o TSB desempenhe um papel mais ativo do que o normalmente permitido", declarou a presidente do TSB, Kathy Fox.


AFP

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