Religião

14/01/2020 | domtotal.com

Bento XVI pede que seu nome seja retirado de polêmico livro sobre celibato

Cardeal Sarah que teria se apropriado de escritos do papa emérito e acrescido seu próprio ponto de vista

Os papas Francisco e Bento XVI
Os papas Francisco e Bento XVI (AFP/ Vatican Media)

O papa Emérito Bento XVI pediu que seu nome fosse retirado de um controvertido livro sobre o celibato, disse seu secretário particular, dom Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia, à agência Ansa nesta terça-feira.

"Confirmo que nesta manhã, seguindo o conselho do papa emérito, pedi ao cardeal Robert Sarah que contatasse os editores do livro para pedir que removessem o nome de Bento XVI como coautor do livro e também removessem a assinatura da introdução e as conclusões", disse o clérigo, que foi seu secretário particular durante seus oito anos de pontificado.

O que ocorreu foi que há alguns meses Bento XVI trabalhava em um texto sobre o sacerdócio e o cardeal Sarah pediu para vê-lo. O papa emérito deixou sabendo que o prefeito da Liturgia estava escrevendo um livro sobre o sacerdócio e, provavelmente, pensando que o utilizaria somente como “background”.

"O papa emérito, de fato, sabia que o cardeal estava preparando um livro - acrescentou Gänswein -, e tinha enviado um pequeno texto seu sobre o sacerdócio, autorizando-o a usá-lo como o desejasse. Mas ele não tinha aprovado nenhum projeto para um livro assinado conjuntamente nem tinha visto e autorizado a capa. Foi um mal-entendido, sem questionar a boa fé do cardeal Sarah".

Confusão

A partir daí, tudo é obra do cardeal guineense e de seu publicitário, Nicolas Diat, junto com as editoras Fayard, da França, Ignatius Press, dos Estados Unidos, e Cantagalli, da Itália. Apesar que seja correto defender o celibato, o modo de fazê-lo era uma falta de respeito às igrejas orientais e ao papa Francisco, a quem corresponde a decisão final em consciência, livre de pressões midiáticas que os próprios autores do livro denunciavam, porém, também praticavam com esse lançamento.

A publicação no domingo de alguns trechos do livro intitulado Das profundezas de nossos corações, desencadeou uma disputa sobre a interferência do papa que renunciou em 2013. "Não podemos calar", argumenta-se no livro sobre a possibilidade do papa Francisco aprovar a ordenação de homens casados em regiões remotas, uma decisão que poderia gerar um cisma na Igreja católica.

A edição norte-americana leva como subtítulo alarmante: Sacerdócio, celibato e a crise da Igreja Católica. O adiantamento do conteúdo em tom catastrófico pelo jornal Le Figaro recorda o lançamento mundial do manifesto do ex-núncio nos Estados Unidos Carlo Maria Viganò, que pedia a renúncia do papa Francisco sobre bases absolutamente falsas.

Embates

Um bom número de religiosos da América do Sul questionou durante o sínodo dos bispos realizado em outubro passado sobre a ordenação de homens casados para tratar da escassez de padres na Amazônia.

Um texto atribuído a Bento XVI afirma que “da celebração diária da Eucaristia, que implica um estado permanente de serviço a Deus, nasce espontaneamente a impossibilidade de um laço matrimonial”. O cardeal Sarah fala inclusive de “padres de segunda classe”.

A realidade histórica é que sempre existiram padres casados, do mesmo modo que continuam existindo nas Igrejas ortodoxas e também nas 23 Igrejas católicas do rito oriental. De fato, a introdução dos padres casados na Igreja latina foi feita por Bento XVI, em 2009, com a constituição apostólica que criou os ordinariatos para padres e fieis anglicanos que vinham à Igreja Católica mantendo seu rito e tradição.

Sobre a delicada questão, que divide conservadores e reformistas, Francisco deve se pronunciar em um documento, ou exortação pós-sinodal, que será publicada em fevereiro.

Sarah se pronuncia

Mais cedo, Sarah refutou as acusações da mídia de que usou o nome de Bento XVI sem autorização e que se aproveitou do ex-líder religioso, que está com 92 anos e a saúde frágil.

"Afirmo solenemente que Bento XVI sabia que nosso projeto tomaria a forma de um livro. Posso dizer que trocamos vários textos para estabelecer as correções", escreveu Sarah, de 74 anos, no Twitter.

Mais tarde, ele disse que Bento XVI será citado como colaborador, e não coautor, em edições futuras do livro. "Entretanto, o texto completo permanece absolutamente inalterado".


AFP/ ABC/ Vatican News/ Dom Total/ Reuters

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