Brasil Política

14/01/2020 | domtotal.com

Bolsonaro se omite sobre subsídio para igrejas e fica nervoso ao ser perguntado por Queiroz

Pela minuta de decreto em estudo no governo, os templos passariam a pagar tarifas mais baratas no horário de pico

'Acho que não tenho que conversar com vocês, é só escrever o que você achar', afirmou.
'Acho que não tenho que conversar com vocês, é só escrever o que você achar', afirmou. (Antonio Cruz/ Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido)  se desviou nesta terça-feira (14), de perguntas sobre ser favorável ou não à concessão de subsídio para a conta de luz de templos religiosos, assunto que, a pedido dele, está em análise no governo, como revelou o Estadão. E acabou encerrando a entrevista quando foi questionado sobre Fabrício Queiroz.

"Estou apanhando e não decidi nada ainda. Eu não sei por que essa gana de dar pancada em mim o tempo todo. Eu assinei o decreto? Então por que essa pancada?", declarou o presidente em frente ao Palácio da Alvorada sobre o subsídio.

Questionado se assinará o decreto para conceder o auxílio, Bolsonaro disse que decide "na hora certa", aos "48 do segundo tempo ou 54". O presidente negou-se a falar sobre o que pensa sobre o assunto: "não tenho opinião para te dar".

Pela minuta de decreto em estudo no governo, os templos passariam a pagar tarifas no horário de ponta, quando há maior consumo, iguais às cobradas durante o dia, ou seja, mais baratas. A alternativa em estudo para custear esses benefícios é repassar o valor a outros consumidores, tanto residenciais quanto livres, via o encargo chamado Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

A soma dos benefícios embutidos na conta de luz e repassados para todos os consumidores atingiu R$ 22 bilhões neste ano e tem sido alvo de preocupação da área econômica do governo. Embora o movimento seja para beneficiar templos religiosos de forma ampla os evangélicos são o alvo da medida.

O presidente voltou a afirmar que deve sancionar o Orçamento "no limite", ou seja, no dia 20 de janeiro. Bolsonaro já sinalizou que deve aprovar o fundo eleitoral de cerca de R$ 2 bilhões, proposto pelo próprio governo, apesar de ele afirmar ser contra ao uso do recurso público nas disputas.

Queiroz

Bolsonaro encerrou a entrevista ao ser questionado por jornalistas se teria mandado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Sem partido-RJ), faltar a um depoimento marcado no Ministério Público do Rio de Janeiro.

Segundo a revista Época, a informação sobre a ordem de Bolsonaro foi publicada no livro Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos, da jornalista Thaís Oyama. A obra será lançada no próximo dia 20 de janeiro.

"O livro é fake news, um livro mentiroso, não vou responder sobre o livro", disse Bolsonaro. Sem ser perguntado, porém, o próprio presidente havia inserido o novo livro entre os assuntos da entrevista. Ele entrou no tema ao se desviar de pergunta sobre proposta dele para subsídio para conta de luz de igrejas, quando disse que não tinha opinião a dar. "Tem uma colega de vocês que fez um livro que leu meu pensamento. Acho que não tenho que conversar com vocês, é só escrever o que você achar", afirmou.

Alegando motivos de saúde, Queiroz faltou a mais de um depoimento ao MP em caso revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo que trata de movimentações atípicas do ex-assessor de Flávio identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Salário mínimo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que há espaço para reajustar o salário mínimo de forma a recompor a inflação do ano passado. Ele irá se reunir com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na tarde desta terça, defendeu que o reajuste leve em conta a variação dos preços no ano passado, apesar do impacto nas contas públicas.

"Eu vou encontrar com o Paulo Guedes agora à tarde. Eu acho que tem brecha para a gente atender", disse Bolsonaro a jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada, argumentando que dezembro registrou inflação 'atípica' por conta da alta da carne.

Questionado se a ideia seria ao menos recompor a inflação, Bolsonaro confirmou: "A ideia é no mínimo isso aí... apesar de ser pouco o aumento, 4, 5 reais, tem que recompor".

No último dia de 2019, o presidente assinou medida provisória estabelecendo o salário mínimo em 1.039,00 reais para 2020, um reajuste de 4,1%. No entanto, a inflação do ano passado medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 4,48%, segundo divulgado pelo IBGE no início de janeiro.

O governo estima que para cada aumento de 1 real no salário mínimo as despesas com benefícios da Previdência, abono e seguro desemprego e benefícios de prestação continuada da Lei Orgânica de Assistência Social e da Renda Mensal Vitalícia se elevam em 2020 em aproximadamente 355,5 milhões de reais.


Agência Estado e Reuters



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