Meio Ambiente

26/01/2020 | domtotal.com

Pesquisadora diz que 1 milhão de aves marinhas morreram por onda de calor

Mudanças climáticas afetaram cadeia alimentar dos airos, ave do Pacífico Norte

(Arquivo) Airos são mantidos em gaiola em uma reserva natural, situada na Califórnia
(Arquivo) Airos são mantidos em gaiola em uma reserva natural, situada na Califórnia (GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Arquivos)

Cerca de 1 milhão de aves marinhas do Pacífico Norte, conhecidas na região como airo, morreram durante uma onda de calor na temporada 2015-2016. De acordo com cientistas, a mudança climática interrompeu a cadeia de abastecimento de alimentos, fazendo com que as aves sofressem de inanição. Esse é o maior registro de mortalidade em massa já catalogado entre aves.

A ecologista Julia Parrish, da Universidade de Washington, disse que a maior frequência de ondas de calor mais poderosas parece ser um fenômeno "relativamente novo" e vinculado às mudanças climáticas.

De 2014 a 2016, o El Niño se uniu a uma enorme massa quente de água do mar - chamada de "gota" - e, em conjunto, os dois criaram uma onda marinha de calor que se estendeu da Califórnia ao Alasca. O El Niño é um fenômeno climático global que ocorre de maneira irregular. Ele está associado ao aumento da temperatura das águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental.

Durante o período compreendido entre o verão de 2015 e a primavera de 2016, cerca de 62 mil airos foram encontrados mortos em terra, ao longo da costa do Pacífico na América do Norte. Somente no Alasca, a taxa de morte foi mil vezes maior que o normal.

Sabendo que apenas uma pequena quantidade das aves que morreram estava em partes acessíveis da terra, estima-se que a quantidade total de mortes seja na realidade de algo entre meio milhão a 1,2 milhão de airos.

Como comparativo, 30 mil corpos de aves foram encontrados após o derramamento de petróleo Exxon Valdez na costa do Alasca, em 1989. Na época, foi estimado que o número de mortes foi de 300 a 600 mil aves.

Efeito duplicado

A ecologista explicou que os efeitos da onda de calor acabaram por ser dobrados. Primeiro, as altas temperaturas reduziram a qualidade e quantidade de fitoplâncton, o que por sua vez resultou na diminuição da quantidade e qualidade dos peixes comidos pelas aves.

Além disso, à medida que as águas ficaram mais quentes, aumentou a necessidade por peixes maiores, cujos predadores - pássaros de cerca de 30cm de largura com barrigas brancas e pretas - competem com os airos na busca por alimento. Esses pássaros voam muito rápido e são especialistas em buscar suas presas em profundidades de até 200 metros abaixo da superfície da água.

Piatt acrescentou que o "calcanhar de Aquiles" evolutivo do airo é a sua necessidade de consumir metade de sua massa corporal todos os dias. "Tudo o que fazem depende do músculo do peito. E quando não conseguem comer em três ou quatro dias, queimam todo esse músculo", e não conseguem mais voar ou mergulhar, disse.

Para agravar o problema, muitos dos pássaros que morreram estavam em idade reprodutiva. O estudo constatou que as colônias de reprodução de airos em toda a região falharam em reproduzir filhotes durante anos durante e após a onda de calor.


AFP

EMGE

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