Religião

24/01/2020 | domtotal.com

Comer do Pão da Vida para conter uma vida de pão

Comer do Pão da Vida, Verbo Encarnado, faz reverberar em nós a máxima 'Não só de pão vive o homem'

No banquete eucarístico, a fartura é da graça!
No banquete eucarístico, a fartura é da graça! (Unsplash)

Daniel Reis*

Ao som da litania “Cordeiro de Deus”, o presidente da celebração eucarística fraciona todo o pão consagrado, o apresenta à comunidade ali reunida, toma um pedaço para si e distribui aos demais aos fiéis, um por um. Sempre participamos deste rito em todas as missas que celebramos, em qualquer dia e em qualquer tempo litúrgico. Mas o que ele nos informa ou sugere? O que podemos aprender com ele?

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Todo rito nos ensina, educa, modela para um comportamento cada vez mais cristão, isto é, para uma vida cada vez mais parecida com a vida de Jesus Cristo. No caso da fração-distribuição-comunhão do pão eucarístico, muito podemos aprender, seja da perspectiva da partilha, da reunião familiar em torno da mesma mesa, da unidade, do amor fraterno, da comunhão, do dom de si... é uma fonte inesgotável de aprendizado!

Uma das possibilidades que é pouco percebida e dificilmente abordada, trata-se da potencialidade deste rito em controlar nossos impulsos e podar nossos vícios. Neste sentido, reza a Oração pós-comunhão do 24º Domingo do Tempo Comum: “Ó Deus, que a ação da vossa Eucaristia penetre todo o nosso ser para que não sejamos movidos por nossos impulsos, mas pela graça do vosso sacramento. Por Cristo, nosso Senhor”. Tendo recebido a Eucaristia, pedimos que seja a graça que ela imprime em nós a força motriz de nossas ações, pois uma vez transformados naquele que recebemos, nossa conduta deve ser a dele, e não a regida por nossos impulsos nocivos, mas por sua Palavra que se faz carne e habita em nós quando comungamos.

Um desses impulsos – por mais inusitado que pareça – que a recepção da Eucaristia, precedida por sua respectiva fração e distribuição, tem o condão de conter, é o da gula. Sim, podemos aprender a controlar o impulso deste pecado capital através do rito eucarístico: o presidente da celebração parte o pão consagrado e não o consome sozinho; nós recebemos um pedaço daquele pão (ainda que as hóstias pareçam um inteiro, trata-se de um pedaço do único pão repartido); nos dirigimos ordenadamente em procissão sem a ânsia de recebermos uma grande quantidade do alimento eucarístico, pois o rito nos educou para sabermos que um pedaço nos basta para a efusão da graça sacramental.

Comer do Pão da Vida, Verbo Encarnado, faz reverberar em nós a máxima “Não só de pão vive o homem” (Mt 4,4), ensinando-nos a controlar o impulso desmedido por comida e evitando o transposição de um pecado pessoal para um pecado social, pois como alerta Paulo: “enquanto uns passam fome, outros se esbaldam” (1Cor 11,21b).

No banquete eucarístico, a fartura é da graça! Assim, poderíamos controlar a compulsão alimentar sobrepondo a qualidade à quantidade, nutrindo de forma saudável o nosso corpo, que também é o Corpo de Cristo. Conscientes de que a Eucaristia nos ensina a controlar nossa gula, podemos rezar: “Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida. Por Cristo, nosso Senhor.” (Oração pós-Comunhão do 6º Domingo do Tempo Comum).

*Daniel Reis é leigo, graduando em Teologia e em Direito. Cursou Especialização em Liturgia. Membro da coordenação e assessor da Comissão de Liturgia da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Membro e assessor do Secretariado Arquidiocesano de Liturgia (SAL). Membro do Regional Leste II para a Liturgia, da CNBB. Membro da diretoria da Associação dos Liturgistas do Brasil (Asli).

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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