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23/01/2020 | domtotal.com

O que se sabe até agora sobre o novo coronavírus e como se prevenir

Detectado na China, surto faz soar alerta para evitar epidemia mundial

A OMS se reúne para discutir medidas a serem adotadas para evitar a propagação da doença
A OMS se reúne para discutir medidas a serem adotadas para evitar a propagação da doença (AFP)

O novo vírus foi detectado em dezembro em Wuhan, uma megalópole chinesa de 11 milhões de pessoas. Suspeita-se que o foco inicial seja um mercado de peixes e frutos do mar, onde havia vendas ilegais de animais silvestres. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que a "fonte primária" do surto tenha origem animal e autoridades chinesas informaram que o vírus é transmissível entre humanos. Ainda se desconhece o período de incubação. No momento, é chamado de "2019-nCoV".

A cepa é um novo tipo de coronavírus, família com um grande número de vírus. Eles podem causar doenças leves nos seres humanos (como um resfriado), mas também outras mais graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), que causou cerca de 800 mortes e infectou mais de 8 mil pessoas na Ásia.

Arnaud Fontanet, chefe do departamento de epidemiologia no Instituto Pasteur de Paris, explicou que a cepa do vírus atual é em 80% idêntico geneticamente ao da Sars. Comparados com os da Sars, os sintomas desse novo vírus parecem ser menos agressivos, e os especialistas destacam que o balanço de mortos ainda é relativamente baixo. No entanto, os cientistas ressaltam que o fato de o vírus ser suave também pode gerar alarde já que, com sintomas mais leves, as pessoas podem continuar viajando antes de detectarem sua presença e, consequentemente, aumentar sua propagação.

A China compartilhou o genoma do vírus com cientistas de outros países e há iniciativas de centros de pesquisa para criar uma vacina contra o novo coronavírus.

Situação atual

Até a noite de quarta-feira (22), o total de pessoas infectadas era de 444 na região de Hubei, epicentro dos casos. O número de mortos, na China, chegou a 17. Até quarta-feira, cerca de 2,2 mil pessoas que entraram em contato com pessoas infectadas estavam sendo mantidas isoladas, enquanto 765 foram liberadas da observação. Foram registrados casos suspeitos de infecção no Japão, Coreia do Sul, Tailândia, Hong Kong, Taiwan e Estados Unidos.

Na quarta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais anunciou a internação de uma mulher com suspeita da doença, mas o Ministério da Saúde emitiu nota contradizendo a secretaria estadual e descartou a possibilidade de infecção. As autoridades locais analisam o caso e a mulher, que esteve em Xangai, segue internada.

Ações de prevenção

Depois de certa demora em tornar pública a epidemia, o governo chinês passou a monitorar os casos, divulgar boletins e anunciar as ações para conter a doença. Quase metade das províncias do país está em alerta, incluindo megalópoles como Xangai e Pequim. 

O vice-ministro chinês da Comissão Nacional da Saúde, Li Bin, anunciou medidas preventivas, como ventilação e desinfecção em aeroportos, estações ferroviárias e shopping centers. Sensores de temperatura corporal foram instalados em locais movimentados.

O governo de Pequim determinou a suspensão de voos e viagens de trens provenientes da cidade de Wuhan, onde surgiu a epidemia, a partir das 10h desta quinta-feira (23). Os moradores foram alertados a não deixarem o local sem um motivo especial. A China também informou que vai oferecer apoio financeiro para o tratamento de pessoas infectadas.

Vários países asiáticos, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a Itália, a Romênia e a Rússia também implementaram controles de detecção para os passageiros procedentes de Wuhan. No Brasil, o governo federal já notificou a área de portos, aeroportos e fronteiras da Agência Nacional de Vigilâncias Sanitária (Anvisa) para as medidas de prevenção à entrada do coronavírus no país e declarou que está monitorando a situação.

A Organização Mundial de Saúde se reuniu na quarta-feira (22) para discutir a possível ameaça e elogiou a transparência e as medidas de contenção adotadas pelo governo chinês. A entidade não decidiu se o novo surto do vírus constitui uma emergência internacional e evitou o termo "emergência de saúde pública de alcance internacional", mas reconheceu que "há evidências" de transmissão por contato humano.

O termo é usado em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta internacional, incluindo a gripe suína H1N1 em 2009, o vírus zika em 2016 e a febre ebola, que devastou milhares de africanos entre 2014 e 2016 e o surto de 2018. A entidade vai voltar a se reunir nesta quinta-feira (23) para discutir se deve declarar a situação como emergência de saúde pública.

Sintomas

Os sinais e sintomas da pneumonia indeterminada são principalmente febre, dor, dificuldade em respirar em alguns pacientes e infiltrado pulmonar bilateral. Embora a causa da doença e do mecanismo de transmissão sejam desconhecidos, no Brasil, o Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de infecções respiratórias agudas, seguindo as diretrizes da OMS.

Entre as orientações estão:

1) Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;

2) Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

3) Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas e criações.

Como é a propagação

1) Por gotículas respiratórias no ar (tosse ou espirro).

2) Por contato com a pele (apertos de mão ou abraços).

3) Por saliva (beijos ou bebidas compartilhadas).

4) Por toque em uma superfície contaminada (cobertor, maçaneta ou torneiras).


AFP/Agência Estado/Dom Total



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