Ciência e Tecnologia

25/01/2020 | domtotal.com

Arqueólogos encontram fragmento de cérebro vitrificado da erupção do Vesúvio

Material deverá ser liquefeito para tentar extrair o DNA e traçar origens étnicas

Fragmento cerebral de uma vítima da erupção do Vesúvio há quase 2 mil anos
Fragmento cerebral de uma vítima da erupção do Vesúvio há quase 2 mil anos (Herculaneum Archaeological Site/AFP)

O achado parece uma pedra negra comum, mas os antropólogos italianos descobriram que se trata de um fragmento cerebral de uma vítima da erupção do vulcão Vesúvio há quase 2 mil anos. A descoberta, revelada no New England Journal of Medicine, é uma raridade arqueológica encontrada nas ruínas de Herculano, uma antiga cidade romana destruída pela erupção do Vesúvio no ano 79 dC, localizada não muito longe do local mais famoso de Pompeia, na Baía de Nápoles.

Especialistas que estudam os restos mortais de uma população varrida por lava, cinzas e gases venenosos há décadas, ficaram intrigados com essa pedra parecida com vidro dentro de um crânio quebrado. "Em outubro de 2018, examinei restos humanos e vi algo brilhante em uma caixa craniana em pedaços", disseum dos pesquisadores, Pier Paolo Petrone, antropólogo forense da Universidade de Nápoles Federico II. "Eu tinha certeza de que era de cérebro humano", afirmou.

As análises de Piero Pucci, do Centro Avançado de Biotecnologia de Nápoles (Ceigne), confirmaram sua intuição, revelando elementos de proteínas e ácidos graxos do cabelo e do tecido cerebral. O pedaço do cérebro poderia pertencer ao guardião de um local de culto dedicado ao imperador Augusto. Seu corpo carbonizado foi encontrado em uma cama de madeira na década de 1960.

Os pesquisadores estimam que a temperatura ambiente subiu para 520 graus durante a erupção vulcânica do Vesúvio, um nível que queima gordura e tecido. Uma rápida queda de temperatura teria vitrificado restos humanos, como o cérebro. "Se conseguirmos aquecer o material, liquefazê-lo, poderemos extrair o DNA", disse Pier Paolo Petrone.

O cientista disse ainda que os pesquisadores já conseguiram encontrar, graças ao DNA, laços familiares entre sete mulheres e a origem do Oriente Médio de três homens, provavelmente escravos, cujos restos também foram descobertos em Herculano.


AFP



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