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23/01/2020 | domtotal.com

Líderes mundiais reunidos em Jerusalém condenam crescente antissemitismo

Israel e EUA criticam Irã e Putin propõe a realização de uma cúpula do Conselho de Segurança da ONU

Presidente do conselho do Yad Vashem conversa com Netanyahu e Putin durante conferência que celebrou os 75 anos da libertação de Auschwitz
Presidente do conselho do Yad Vashem conversa com Netanyahu e Putin durante conferência que celebrou os 75 anos da libertação de Auschwitz (Ronen Zvulun/AFP)

Líderes mundiais manifestaram alarme contra o ressurgimento do antissemitismo, durante reunião no Yad Vashem, o Memorial do Holocausto de Israel, para marcar o 75º aniversário da liberação do campo de extermínio nazista de Auschwitz.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, também criticaram o Irã em seus discursos no Fórum Mundial do Holocausto, acusando-o de antissemitismo raivoso e de buscar a destruição de Israel. Já os líderes da Rússia e da França lamentaram a morte de 6 milhões de judeus na Europa durante a Segunda Guerra Mundial pelos nazistas e prometeram combater o crescente antissemitismo.

O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse na conferência que abaixou a cabeça na "mais profunda tristeza (pelo) pior crime da história da humanidade" cometido por seus compatriotas. Steinmeier falou em inglês, e não em alemão, uma escolha feita, segundo seu gabinete, para evitar causar desconforto aos sobreviventes do Holocausto na plateia. "Gostaria de poder dizer que nós, alemães, aprendemos com a história de uma vez por todas. Mas não posso dizer isso quando o ódio está se espalhando", afirmou .

O presidente russo, Vladimir Putin, disse ser vital se opor à xenofobia e ao antissemitismo em todos os lugares. "Você acabou de dizer que não se sabe onde termina o antissemitismo", disse Putin ao presidente israelense, Reuven Rivlin, em encontro antes da reunião. "Infelizmente sabemos disso, Auschwitz é o resultado final."

Putin aproveitou sua visita à Terra Santa para inaugurar um memorial em homenagem às vítimas do cerco de Leningrado pela Alemanha nazista, onde cerca de 800 mil pessoas morreram entre 1941 e 1944. "O cerco de (Leningrado) e o Holocausto são dois eventos que não podem ser comparados a nada", disse o presidente russo, pedindo o combate ao antissemitismo sem mencionar o Irã, país do qual a Rússia permanece próximo.

Cúpula dos cinco

Em vez disso, Putin convocou uma cúpula de líderes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Rússia, França, Reino Unido, China, Estados Unidos – para responder aos "desafios" contemporâneos, em um contexto de tensões exacerbadas Leste-Oeste. "A divisão pode ter consequências terríveis", disse Putin. "Precisamos ter coragem não apenas para falar sobre isso, mas devemos fazer tudo para defender e preservar a paz", insistiu. "Os cinco membros permanentes hoje têm uma responsabilidade histórica e compartilho seu desejo, 75 anos depois, de nos reunir", respondeu Macron sem maiores detalhes.

Putin mais tarde se reuniu com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia ocupada. Em declarações aos repórteres, Abbas disse que ele e Putin precisavam discutir "questões regionais", incluindo o tão esperado plano de paz do Oriente Médio do presidente dos EUA, Donald Trump, e as propostas israelenses de "anexar terras palestinas".

O presidente francês Emmanuel Macron, que pediu firmeza diante do antissemitismo e defendeu a ideia de que a "negação da existência de Israel como um Estado" era uma "forma contemporânea" de antissemitismo, alertou para uma instrumentalização do Holocausto. "Ninguém tem o direito de convocar seus mortos para justificar qualquer divisão ou algum ódio contemporâneo, porque todos os que caíram nos obrigam à verdade, à memória, ao diálogo, à amizade", afirmou em discurso proferido após o de Pence e Netanyahu, sem dizer a palavra "Irã".

Uma pesquisa global realizada pela Liga Antidifamação dos EUA em novembro constatou que as atitudes antissemitas globais aumentaram, e significativamente na Europa Central e Oriental. Mostrou ainda que grandes porcentagens de pessoas em muitos países europeus pensam que os judeus falam demais sobre o Holocausto.

Mais de 1 milhão de pessoas, a maioria judias, foram mortas no campo de Auschwitz-Birkenau na Polônia ocupada pelos nazistas. Israel saudou a conferência, com a participação de mais de 40 líderes mundiais, como o maior encontro internacional em sua história.

Críticas ao Irã

Em seu discurso no fórum, Netanyahu denunciou o Irã como o "regime mais antissemita do planeta" e prometeu que Israel sempre se defenderá contra os que tentam destruir o país. Netanyahu há muito tempo acusa o Irã de buscar armas nucleares, alegação negada pelos iranianos.

Pence descreveu o Irã como o único país "que nega o Holocausto como uma questão de política estatal e ameaça varrer Israel do mapa". Após a conferência, ele visitou com Netanyahu o Muro das Lamentações, local sagrado para o judaísmo, em Jerusalém.

Outros convidados da celebração incluíram o presidente francês, Emmanuel Macron, e o príncipe britânico Charles. Um ausente notável foi o presidente Andrzej Duda, da Polônia, que recusou o convite porque não tinha permissão para falar na conferência, ao contrário dos vencedores da guerra, – Estados Unidos, Rússia, Reino Unido e França – ou até mesmo a Alemanha.


Reuters/AFP/Dom Total



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