Religião

28/01/2020 | domtotal.com

Entre a vida e a morte

Talvez tenhamos alguma parcela de responsabilidade sobre as perdas humanas e materiais de muitos

Precisamos seguir corajosos entre a vida e a morte
Precisamos seguir corajosos entre a vida e a morte (Paweł Czerwiński/ Unsplash)

Tânia da Silva Mayer*

A vida é um mistério que nos ultrapassa. E esse mistério é, por sua parte, inexplicável. A fé cristã confessa que ela é possível por força de Deus. Alguns autores sagrados falam da vida como sendo um sopro insuflado nas criaturas pelo criador. Nesses poemas e relatos, a metáfora permite que o mistério permaneça aberto e incapaz de ser esgotado por nossas fórmulas científicas e filosóficas.

Mas se da vida ainda podemos dizer muito pouco, está posto pela existência que ela não dura para sempre. O fim é uma certeza que compartilhamos entre nós, sem, contudo, saber a hora ou o momento. Também vivemos nossos dias sem nos permitir uma reflexão sobre o fim, o nosso, o dos outros e o do mundo. É como se estivéssemos fugindo do assunto, uma vez que ele aparece sempre como um fantasma que amedronta.

O fim é o medo maior que compartilhamos. Não fosse assim, não sentiríamos a dor da perda das pessoas que amamos, por exemplo. Temos tanto medo que muitos vivemos como se a morte nunca fosse bater à nossa porta, conduzindo para além da vida os nossos passos ou os passos daqueles que nos são caros. Por isso, acabamos por viver perigosamente, ocultando do horizonte os reais perigos e as ameaças à vida. Esse comportamento é muito comum na juventude, quando nos sentimos imortais, mas também nos acompanha e permanece em outras fases da vida.

Vale ressaltar que não é o medo da morte que deve alimentar nosso dias. Inclusive, ele pode se tornar angústia, depressão, pânico. E quando ele se transforma, pode culminar na morte definitiva. O que precisamos criar em nós é o espírito da autopreservação, mas não só. É preciso querer também cuidar e preservar a vida do outro e, também, a vida do mundo no qual somos e existimos.

Nesse momento, somos confrontados pelo fim e pela morte em nossas cidades. Fenômenos naturais, como as chuvas abundantes desse período, colocam em risco a vida de milhares de pessoas e acabam por impor um fim trágico a tantas outras. E acompanhamos tudo pelas notícias que chegam por diversos meios. É estarrecedor e entristece.

Mas devemos todos nos perguntar, qual a parcela de responsabilidade que temos sobre as perdas humanas e materiais que muitos estão sofrendo? Não há dúvidas de que a solidariedade é o primeiro remédio para reparar a triste realidade, mas quais outras ações devem ser tomadas coletiva e individualmente para a preservação da vida? Enquanto construímos essas respostas, sigamos corajosos entre a vida e a morte.

TAGS




Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!



Outros Artigos

Não há outras notícias com as tags relacionadas.