Brasil

29/01/2020 | domtotal.com

Chuva causa destruição em BH e número de mortos em Minas chega a 53; veja vídeos

Número de pessoas afetadas subiu de 18.111 para 33.408 entre segunda-feira (27) e terça-feira (28). Os desalojados totalizam 28.893, enquanto os desabrigados chegaram a 4.397

Ruas de Belo Horizonte ficaram totalmente destruídas
Ruas de Belo Horizonte ficaram totalmente destruídas (Allan Calisto/Futura Press/Agência Estado)

Atualizada às 18h13

Minas Gerais está com medo. Não são sustos prosaicos vindos das ruas escuras ou das notícias sobre a economia do país. A ameaça vem do céu. Castigadas pelas maiores chuvas registradas, as Minas Gerais constatam uma realidade dramática.

Depois de dias de chuva intensa no fim da última semana, Belo Horizonte e a Região Metropolitana receberam um volume de chuvas inédito na história. O número de mortos chega a 53 desde quinta-feira (23), mais de 46 mil pessoas foram obrigadas a deixas suas casas e mais de 8 mil estão deasbrigadas. As cenas de desolação na capital se acumulam como o volume de entulhos e lama.

O cenário é de guerra. Placas de asfalto foram levantados pela água e expuseram a terra, barrancos deslizaram soterrando casas e famílias, móveis, eletrodomésticos e memórias foram arrastados pelas ruas, carros carregados por corredeiras surgidas de uma hora para outra. O resultado é uma tragédia sem precedentes. Lágrimas, lama e lamento.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em apenas três horas choveu 175,6 milímetros na região central – a metade do esperado para o mês inteiro. De acordo com a Defesa Civil, a capital recebeu este ano bem mais que o dobro do volume de chuva da média de janeiro. Até o momento, o mês de janeiro deste ano é considerado o mais chuvoso da capital mineira desde 1910, com um total de 932,3 milímetros, segundo a Defesa Civil do estado.

 A Região Norte, que teve o menor índice, teve 163% a mais do que a média anual. Duas regiões foram as mais castigadas: a Centro-Sul e a Oeste, que tiveram quase o triplo de chuvas durante o mês de janeiro (aumento de 291% em relação à média histórica).

Na última madrugada, a Região Centro-Sul, considerada a mais nobre da cidade, foi a mais atingida, provocando destruição em praças e vias de tráfego importantes, desabamento em shoppings e muito prejuízo para milhares de comerciantes que tiveram suas lojas invadidas pelas águas e pela lama.

Urbanização

Um dos motivos porque Belo Horizonte foi escolhida para ser a capital do estado de Minas Gerais foi a abundância de córregos e minas d’água. Todos eles foram canalizados ou simplesmente tampados por asfalto e pela urbanização. Agora, o preço que se paga pela falta de planejamento são mortes, prejuízo e uma devastação inédita. A cobertura de cursos d'água é criticada por especialistas em meio ambiente e urbanismo em todo o mundo há pelo menos 20 anos. No caso de Belo Horizonte, existe inclusive a possibilidade de estouro da estrutura.



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No temporal da semana passada, a região onde há a canalização do Ribeirão Arrudas foi duramente afetada. Duas vigas de concreto foram derrubadas pela força da correnteza, colocando em suspeita a realização da obra que cobriu o rio. Outras três vigas foram danificadas, mas não chegaram a cair.

Com o fechamento do ribeirão, a correnteza, em períodos de chuva forte, faz com que a água seja jogada para fora do leito na transição da parte a céu aberto para a coberta. A Avenida Tereza Cristina, que margeia o Arrudas, é uma das vias constantemente fechadas para o trânsito em períodos de chuva forte.

As chuvas fizeram com que o estado decretasse situação de emergência em 101 cidades. Outros 20 municípios também declararam situação de emergência e outros três de calamidade pública. A Defesa Civil de Minas Gerais aconselha os moradores a deixarem as casas de áreas perigosas.





A cobertura de cursos d'água é criticada por especialistas em meio ambiente e urbanismo em todo o mundo há pelo menos 20 anos. No caso de Belo Horizonte, existe inclusive a possibilidade de estouro da estrutura.

Com o fechamento do ribeirão, a correnteza, em períodos de chuva forte, faz com que a água seja jogada para fora do leito na transição da parte a céu aberto para a coberta. A Avenida Tereza Cristina, que margeia o Arrudas, é uma das vias constantemente fechadas para o trânsito em períodos de chuva forte.


Ajuda federal

Depois dos fortes temporais, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), declarou que a reconstrução da capital vai custar entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. "O que aconteceu aqui, nenhuma cidade do mundo aguentaria. Paris, Nova York ou Boston." Kalil afirmou que espera que parte dos recursos saia do governo federal. O presidente da República, Jair Bolsonaro, deverá viajar a BH nesta quinta-feira (30).

"Esperamos a sensibilidade do governo federal". O gestor municipal disse ainda que o primeiro passo agora é limpar a cidade. A reconstrução, no entanto, só ocorrerá em período mais seco. O prefeito se comprometeu ainda a dobrar o número de funcionários e máquinas voltadas para a limpeza do município nesta quarta-feira (29), elevando os números para 1,2 mil e 150, respectivamente.

O objetivo, no momento, segundo o prefeito, "é desobstruir vias e colocar a cidade para andar". O governo disponibilizou R$ 90 milhões para as ações de socorro, assistência e reconstrução em todo o país e aguarda o pedido dos estados com Planos de Ação para a reconstrução.

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais anunciou que pretende aprovar projetos de lei voltados a apoiar as vítimas dos temporais. Um deles prevê a antecipação pelo governo estadual de repasses a municípios em situação de emergência.

Essa verba está relacionada a um montante de R$ 6 bilhões bloqueados pelo governo do estado em 2017 e 2018, que deverão ser pagos de forma parcelada a partir de abril de 2020. Outros dois projetos na Assembleia abrangem a isenção de taxas cobradas de veículos danificados pelas chuvas.



Kalil usou os estragos causados pelas chuvas na região centro-sul da cidade para reclamar de empreiteiros da capital que criticaram o plano diretor, aprovado no ano passado, e que prevê menos área da cidade para construção. "A resposta chegou à casa deles", declarou, se referindo ao fato de os empreiteiros também morarem na região atingida.

O prefeito garantiu a realização do carnaval em Belo Horizonte, hoje uma das folias de rua que mais atraem visitantes no Brasil. "O povo só é obrigado a sofrer? Vamos colocar cinco milhões no carnaval da cidade e com segurança", disse.



A Prefeitura de Belo Horizonte disponibilizou a possibilidade de famílias que tiveram de deixar suas casas a matricular seus filhos em escolas de tempo integral próximas aos locais onde foram abrigadas. A administração também informou que isentou os proprietários de residências atingidas do pagamento do IPTU.

O garçom Bruno Almeida teve que carregar nas costas vários clientes que estavam sentados na parte externa do restaurante no qual trabalha, senão eles seriam carregados pelas águas que desciam violentamente das ruas inclinadas do bairro. "Veio uma tromba d'água e foi levando carros e pessoas. A minha sorte é que consegui resgatar três ou quatro clientes nas costas e fui levando-os para a parte dentro" do restaurante, contou Almeida.



O garçom Bruno Almeida teve que carregar nas costas vários clientes que estavam sentados na parte externa do restaurante no qual trabalha, senão eles seriam carregados pelas águas que desciam violentamente das ruas inclinadas do bairro. "Veio uma tromba d'água e foi levando carros e pessoas. A minha sorte é que consegui resgatar três ou quatro clientes nas costas e fui levando-os para a parte dentro" do restaurante, contou Almeida.


Agência Brasil/Agência Estado/Dom Total



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