Cultura

04/02/2020 | domtotal.com

Postagem do Secom critica indicada ao Oscar Petra Costa por 'denegrir' o Brasil

Diretora disputa o Oscar de melhor documentário com 'Democracia em Vertigem', uma produção da Netflix

"Democracia em Vertigem" competirá com outros quatro indicados Foto (Petra Costa/Instagram)
A cineasta brasileira Petra Costa (D) conversa com o ator americano Brad Pitt durante almoço dos indicados ao Oscar no teatro Dolby, em Hollywood, 27 de janeiro de 2020
A cineasta brasileira Petra Costa (D) conversa com o ator americano Brad Pitt durante almoço dos indicados ao Oscar no teatro Dolby, em Hollywood, 27 de janeiro de 2020 Foto (AFP)

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) publicou uma postagem no Twitter nessa segunda-feira (3), criticando a cineasta Petra Costa por "denegrir uma nação" com o seu documentário, "Democracia em Vertigem", que trata dos fatos que resultaram na chegada de Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência. O termo "denegrir" é considerado racista por militantes do movimento negro e sua utilização não é recomendada. 

Em um vídeo postado em sua conta oficial, a Secom sustenta que a cineasta "assumiu o papel de ativista anti-Brasil" e questiona algumas declarações dela durante entrevista concedida no fim de semana a um canal americano.

A peça, de quase três minutos, mostra a diretora afirmando que desde a chegada de Bolsonaro ao poder, em janeiro de 2019, aumentou o número de mortes em ações policiais no estado do Rio de Janeiro e que o presidente incentiva fazendeiros a invadir terras indígenas e queimar a floresta amazônica.

A Secom inseriu legendas para questionar vários destes argumentos. Em uma série de tuítes em português e inglês, a secretaria repetiu as críticas e acrescentou: "é incrível que uma cineasta possa criar uma narrativa cheia de mentiras e prognósticos absurdos a fim de denegrir uma nação só porque não aceita o resultado das eleições".



Pietra Costa, de 36 anos, disputa o Oscar de melhor documentário com "Democracia em Vertigem", uma produção da Netflix, na qual faz uma retrospectiva de um ponto de vista pessoal dos eventos recentes que marcaram a política brasileira.

A fita, de duas horas, narra a chegada da esquerda ao poder com Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, em 2003, o impeachment de sua sucessora, Dilma Rousseff, em 2016, a prisão de Lula em 2018 por corrupção e a ascensão de Bolsonaro.

Pietra Costa tem uma longa carreira como documentarista. Seu filme de estreia, "Olhos de Resssaca" (2009), foi exibido no Moma de Nova York e ganhou, entre outros, o prêmio de melhor curta-metragem no London International Documentary Festival. Seguiram-no "Elena" (2012) e "O Olmo e a Gaivota" (2015), ambos igualmente premiados.

Na cerimônia do Oscar no próximo domingo (9), "Democracia em Vertigem" competirá com outros quatro indicados ("American Factory", "The Cave", "For Sama" e "Honeyland").



AFP



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