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05/02/2020 | domtotal.com

Após destruição com chuvas, Belo Horizonte proíbe canalização de córregos

Capital tem cerca de 700 km de córregos e ribeirões - 250 já foram canalizados e tamponados, ampliando a força das correntezas no caso de inundações

Ribeirão Arrudas, também canalizado e com parte de seu curso tamponado, é um dos principais córregos que cortam a cidade
Ribeirão Arrudas, também canalizado e com parte de seu curso tamponado, é um dos principais córregos que cortam a cidade (Arquivo Público e Reprodução Google Maps)

Um decreto do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD) publicado nesta quarta-feira (05) veta a canalização de córregos e ribeirões da cidade, corrigindo brecha do Plano Diretor. O plano já proibia o tamponamento - fechamento -, mas deixava em aberto a possibilidade de canalização, ou seja o alargamento e a pavimentação dos cursos d'água, conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo. O tamponamento e a canalização são apontados por especialistas como os principais responsáveis pelas enchentes na cidade.

O veto à canalização foi confirmado ao Estado por fontes da prefeitura. Segundo a Secretaria Municipal de Políticas Urbanas, o que ocorrerá, com a criação do decreto, é estipular "condições excepcionais" para que esse tipo de obra seja feita. No texto original, o Plano Diretor informava só que teria de ser dada preferência para não realizar canalizações.

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BH tem cerca de 700 quilômetros de córregos e ribeirões - 250 já foram canalizados e tamponados. A maior parte das áreas destruídas pelas fortes chuvas do dia 28 está nos bairros Santa Lúcia, Cidade Jardim e Lourdes, por onde passa o Córrego do Leitão, canalizado e colocado para correr sob a cidade, e a Avenida Tereza Cristina, que margeia o Ribeirão Arrudas, também canalizado e com parte de seu curso tamponado.

Segundo especialistas, ao colocar concreto e deixar o córrego retilíneo, a força da água aumenta, e cresce o risco de estragos em vias e enchentes.

Exemplo de curso d'água soterrado em Belo Horizonte:



A Defesa Civil de Minas anunciou ontem a possibilidade de chuvas de 20 a 30 milímetros até amanhã e com risco de superar 100 milímetros até quinta-feira. Nesta segunda-feira, chegou a 57 o número de mortes em decorrências das chuvas no Estado.

O prefeito afirmou ser vítima de fake news. “Ou a população de Belo Horizonte acredita em WhatsApp apócrifo ou nas pessoas que estão sentadas aqui”, disse, referindo-se a secretários e representantes da Defesa Civil Municipal. Para assessores do prefeito, os ataques têm patrocínio de rivais políticos de Kalil.

Confira mais sobre a chuva em BH:



Não há data para retorno das aulas na rede municipal de ensino, que deveriam ser retomadas amanhã. O prefeito disse ainda que a mobilização de grupo criado pela prefeitura para atuação neste período de chuvas não será desarticulado antes do dia 15.

R$ 400 milhões para reparos

Kalil confirmou também não ser possível, no momento, tocar alguns tipos de obras. O prefeito afirmou ter recursos para, por exemplo, fazer todos os reparos necessários na Avenida Tereza Cristina. Mas que, caso as obras comecem ainda no período de chuvas, o município correria o risco de perder R$ 10 milhões. Segundo ele, de R$ 1,4 bilhão previsto para saneamento em seu governo, R$ 1,3 bilhão foi gasto.

Neste montante estão obras para combate a enchentes. Na semana passada, Kalil estimou ser necessário montante entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões para fazer os reparos nas ruas. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro assinou Medida Provisória para liberar R$ 892 milhões aos Estados de Minas, Espírito Santo e Rio, atingidos por fortes chuvas


Agência Estado



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