Meio Ambiente

10/02/2020 | domtotal.com

Usado como isca, boto-rosa sofre nova ameaça com fim de moratória de pesca

População da espécie da Amazônia decresceu pela metade nos últimos 10 anos

IStock
IStock (Pescadores u matam ilegalmente para usar sua carne como isca para o piracatinga)

O boto da Amazônia é um mamífero inteligente e amistoso que parece sorrir e se ruborizar como um humano quando se entusiasma. Mas há quem tema que o maior golfinho de água doce do mundo esteja ameaçado novamente no Brasil, onde pescadores o caçam e matam ilegalmente para usá-lo de isca para o peixe piracatinga.

Uma moratória legal à pesca da piracatinga terminou no mês passado, o que levou ambientalistas e pesquisadores a pedirem sua renovação – como a bióloga Vera da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que trabalha para preservar os botos há 25 anos. No ano passado, um estudo constatou que a população do boto-rosa caiu pela metade nos últimos 10 anos, caso semelhante ao doto cinza, chamado de tucuxi. 

Enquanto sua equipe usava uma rede para colher botos a serem examinados, medidos, marcados e soltos novamente na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, a bióloga afirma que não e cansa. "Sou encantada cada dia por esses animais. São animais fascinantes". "Hoje nós capturamos esses animais e a gente ficou ouvindo a mãe chamando o filhote e o filhote chamando pela mãe numa relação super forte que existe até que ele se torne independente, depois de 2 ou 3 anos de vida", contou.

Como outros golfinhos, eles emitem sons semelhantes a assobios através de respiradouros para se comunicarem debaixo da água. O que os diferencia é uma transformação lenta do cinza para o rosa à medida que envelhecem. O comportamento e a exposição à luz solar também influenciam as mudanças de cor dos botos. Eles podem ficar rosa choque como um flamingo.

Por serem ativos na corte e no acasalamento, eles deram origem a uma lenda amazônica segundo a qual o boto se transforma em um belo homem à noite para seduzir as mulheres do vilarejo. A reserva Mamirauá, administrada pelo Ibama, se estende por 11 mil quilômetros quadrados de floresta tropical alagada e pântanos e fica a três dias de barco de Manaus, capital do Amazonas.

Com os bicos compridos atados cuidadosamente, os botos são levados a um centro de pesquisa flutuante na reserva, onde membros da equipe de Vera da Silva retiram amostras de sangue e usam uma seringa para tirar leite das mães golfinhos para fazer testes.

Embora eles sejam relativamente abundantes, e encontrados nas vastas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, Vera teme que os botos amazônicos desapareçam, como aconteceu com o boto chinês de Yangtzé em 2006 depois de anos de pesca predatória e poluição. "Não queremos que os botos se tornem só uma lenda aqui da Amazônia", disse ela.


Reuters/Dom Total

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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