Ciência e Tecnologia

07/02/2020 | domtotal.com

Mamífero em extinção, pangolim pode ser canal de transmissão do coronavírus

Cientistas chineses acreditam que animal é o provável 'hospedeiro intermediário' da doença

Pangolim raramente sobrevive em cativeiro e tem carne apreciada na China e no Vietnã
Pangolim raramente sobrevive em cativeiro e tem carne apreciada na China e no Vietnã (Arquivo/AFP)

O pangolim, um pequeno mamífero conhecido por suas escamas e ameaçado de extinção, pode ser um animal-chave na transmissão ao homem do novo coronavírus, que já matou mais de 600 pessoas na China. Pesquisadores da Universidade de Agricultura do sul da China identificaram o pangolim como um possível "hospedeiro intermediário" que facilitou a transmissão do vírus, informou a universidade em um comunicado, sem dar mais detalhes.

Um animal que hospeda o vírus sem estar doente e pode transmiti-lo para outras espécies é chamado de reservatório. No caso do novo coronavírus, o reservatório provavelmente é o morcego. De acordo com um estudo recente, os genomas deste vírus e os que circulam neste animal são 96% idênticos.

O vírus do morcego não é, porém, capaz de se fixar em humanos receptores e, sem dúvida, precisa passar por outra espécie para se adaptar ao homem, o que é chamado de "hospedeiro intermediário".

Tendo estudado 1 mil amostras de animais selvagens, os cientistas determinaram que os genomas das sequências de vírus estudadas no pangolim eram 99% idênticos aos dos pacientes infectados pelo coronavírus de Wuhan.

Esse novo vírus apareceu em dezembro passado, em um mercado da cidade chinesa de Wuhan, no centro do país, onde muitos animais vivos são comercializados, alguns deles selvagens. Dada a natureza do novo coronavírus, os especialistas suspeitam de que havia um mamífero que agia como um "hospedeiro intermediário". Por algum tempo, pensaram na cobra, mas essa hipótese foi descartada.

Na epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), entre 2002 e 2003 na China, também causada por um coronavírus, o hospedeiro era o civet, um pequeno mamífero de carne muito apreciada na China. Para conter a epidemia, o governo chinês anunciou, no final de janeiro, uma proibição temporária do comércio de animais silvestres. Criação, transporte e venda de todas as espécies selvagens também estão proibidos por tempo indeterminado.

Todos os anos, 100 mil pangolins são comercializados ilegalmente na Ásia e na África, sendo uma espécie mais cobiçada por traficantes de animais selvagens do que elefante, ou rinoceronte, segundo a ONG WildAid. Sua carne é muito apreciada por chineses e vietnamitas, e suas escamas, ossos e órgãos, usados na medicina tradicional asiática.

Em 2016, a Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Selvagens Ameaçadas de Extinção introduziu o pangolim em uma lista que proíbe sua comercialização. De acordo com as ONGs, porém, apesar desta medida, o tráfico ilegal dessa espécie continua aumentando e é considerado o mamífero mais traficado o mundo.

Os pangolins são naturais da África e da Ásia, classificados em oito espécies. Para brasileiros, seria um parente do tatu, já que se enrosca como uma bola e se alimenta de formigas – tem uma língua comprida como o tamanduá para introduzir em formigueiros. Apesar das semelhanças com estas duas espécies, ele é filogeneticamente mais próximo dos carnívoros e são raros os casos de adaptação em cativeiro. 


AFP/Dom Total

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