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11/02/2020 | domtotal.com

Presidente palestino rejeita plano de Trump no Conselho de Segurança da ONU

Mahmoud Abbas questionou: 'O que lhes dá o direito de anexar estas terras?'

O presidente da Autoridade Nacional Palestina declarou que o plano inviabiliza o Estado palestino
O presidente da Autoridade Nacional Palestina declarou que o plano inviabiliza o Estado palestino (AFP)

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, criticou nesta terça-feira (11), perante o Conselho de Segurança da ONU, o plano de paz entre israelenses e palestinos proposto pelos Estados Unidos, que é um "queijo suíço Gruyère" e não proporciona soberania ao povo palestino. "Rejeitamos o plano israelense-palestino", que "questiona os direitos legítimos dos palestinos", disse Abbas. 

Enquanto segurava um grande mapa da Palestina com as fronteiras definidas pelo plano de Washington, dirigiu-se diretamente ao presidente americano Donald Trump: "Gostaria de dizer ao senhor Donald Trump que este plano não pode conseguir a paz e a segurança", porque "suprime todos os direitos dos palestinos. Não reúne as aspirações de uma solução de dois Estados", declarou Abbas ao conselho. 

"Se a paz for imposta, não vai durar, não tem como durar", acrescentou. "O que lhes dá o direito de anexar estas terras?", questionou, referindo-se às anexações feitas por Israel no Vale do Jordão e em outras partes da Cisjordânia.

O plano faria da Palestina "um Estado fragmentado", sem controle aéreo, nem marítimo. "Quem de vocês aceitaria um tal Estado?", perguntou aos membros do Conselho, evocando uma situação de apartheid. O texto não dá à Palestina soberania sobre seu espaço aéreo ou marítimo, entre outras limitações.

Pressão dos EUA

Em um sério revés, na segunda-feira os palestinos desistiram de submeter ao voto do Conselho uma resolução por falta de apoio internacional, afirmaram diplomatas. Também desistiram de buscar apoio na Assembleia Geral, que está submetida a fortes pressões dos Estados Unidos para não aprovar o repúdio à sua proposta de paz.

De acordo com um diplomata ocidental, Washington ameaçou com "medidas retaliatórias", em particular financeiras, os países que se posicionassem contra os Estados Unidos. No domingo, os Estados Unidos e o Reino Unido apresentaram aos seus parceiros do Conselho de Segurança uma série de emendas ao texto, com o objetivo de remover qualquer crítica ao plano de paz americano apresentado por Donald Trump em 28 de janeiro.

Este projeto mantém uma "solução de dois Estados" e propõe a criação de uma capital de um Estado palestino em Abu Dis, um subúrbio de Jerusalém, enquanto os palestinos querem transformar toda Jerusalém Oriental na capital de seu Estado. Também inclui a anexação por Israel dos assentamentos israelenses, bem como do Vale do Jordão, na Cisjordânia, um território palestino ocupado desde 1967, com fronteiras rompendo as linhas traçadas na época.

O projeto prevê ainda um Estado palestino desmilitarizado alterando sua soberania. "Estes são nossos territórios", afirmou Abbas perante o Conselho de Segurança, pedindo à "comunidade internacional que pressione Israel" para evitar essa perspectiva.

Proposta "realista"

Para a embaixadora americana na ONU, Kelly Craft, o plano, que é acompanhado de um investimento de US$ 50 bilhões, "é realista e pode ser posto em prática". Segundo Craft, não se trata de um "pegar ou largar", mas de uma "oferta inicial" e chamou israelenses e palestinos ao diálogo.

"Minha esperança fervorosa é que quando se dissipar a fumaça da retórica, os líderes verão este plano como a oportunidade que representa, arregaçarão as mangas e aproveitarão a oportunidade para se sentar com os líderes israelenses e começar uma nova conversação", disse.

Em uma declaração conjunta antes da reunião do Conselho de Segurança, os membros da União Europeia presentes neste órgão (Bélgica, França, Alemanha, Estônia, mais a Polônia) enfatizaram seu compromisso de alcançar uma solução de dois Estados, incluindo "um Estado único, independente, democrático, soberano e viável" para os palestinos.

Para os palestinos e muitos de seus apoiadores, o projeto americano é desequilibrado e favorável demais a Israel. Mahmoud Abbas reiterou que "os Estados Unidos não podem mais ser o único mediador" da paz no Oriente Médio. Ele pediu ao "Quarteto (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas) e aos membros do Conselho de Segurança que organizem uma conferência internacional de paz", sem dar mais detalhes.

Troca de comando

Para Danny Danon, embaixador israelense na ONU, a paz requer que os palestinos também troquem seus líderes. "Só quando ele (Abbas) renunciar os palestinos e Israel poderão avançar", disse Danon. No entanto, o repúdio de Abbas à proposta americana conta com o apoio da Liga Árabe, a Organização da Cooperação Islâmica e da União Africana. 

Apesar da negativa dos palestinos em negociar com Trump, Abbas disse que suas primeiras impressões do mandatário americano tinham sido positivas. Desde que chegou à Casa Branca, Trump tomou medidas emblemáticas como reconhecer Jerusalém como capital de Israel ou cortar o apoio da agência da ONU que ajuda refugiados palestinos. "Não sei quem lhe deu esses conselhos. O presidente Trump que eu conheci não era desse jeito", disse Abbas.


AFP/Dom Total

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