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12/02/2020 | domtotal.com

Senado italiano autoriza julgamento de Salvini por sequestro de migrantes

Salvini é acusado pela Justiça da Sicília de 'abuso de poder e sequestro de pessoas', um crime punível com pena de até 15 anos de prisão e que o impediria de ocupar cargos públicos

O líder de extrema-direita do partido italiano Lega, Matteo Salvini, gesticula enquanto se dirige ao Senado, em Roma
O líder de extrema-direita do partido italiano Lega, Matteo Salvini, gesticula enquanto se dirige ao Senado, em Roma (AFP)

O Senado italiano votou, nesta quarta-feira (12), a autorização para abrir um processo judicial contra Matteo Salvini, líder do partido de extrema direita Liga e ex-ministro do Interior, por ter bloqueado mais de 100 migrantes no Mediterrâneo.

Salvini é acusado pela Justiça da Catania (Sicília) de "abuso de poder e sequestro de pessoas", um crime punível com pena de até 15 anos de prisão e que o impediria de ocupar cargos públicos.

O resultado oficial da votação será comunicado às 18h00, mas o telão com os votos eletrônicos exibiu por alguns segundos o resultado, segundo constataram vários jornalistas.

Antes da votação, Salvini defendeu "com orgulho" sua ação como ministro.

"Não sei quanto custará em termos de pessoal e de dinheiro provar que sou um criminoso, mas não tenho medo e explicarei que defendi meu país", afirmou em entrevista ao jornal "La Stampa".

O ex-ministro do Interior, que aplicou uma política rígida contra a imigração, com a qual conseguiu se tornou um dos líderes mais populares da península, considera justa a medida que envolveu o fechamento dos portos e o bloqueio de migrantes que arriscam suas vidas atravessando o Mediterrâneo.

"Quero olhar o juiz nos olhos e explicar que defender as fronteiras do meu país é para mim um direito, um dever, e não um crime", insistiu.

Em julho do ano passado, Salvini impediu que 116 imigrantes desembarcassem na Itália por quase uma semana, enquanto estavam a bordo de um navio da Guarda Costeira.

Então ministro do Interior de um governo formado pela Liga e pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5E), Salvini esperava, com essa medida, que os outros países europeus compartilhassem o fardo migratório.

A decisão do Senado pode dificultar as ambições políticas de Salvini, que deseja liderar um futuro governo de extrema direita.

A Liga é agora minoria no Senado, onde o M5E e o Partido Democrata (centro esquerda), aliados no governo há seis meses, desfrutam da maioria dos votos dos 319 senadores.

De acordo com a Constituição italiana, o Parlamento pode impedir que um ministro seja processado por sua administração, se os parlamentares considerarem que agiu no âmbito de suas funções e no interesse do Estado.

Salvini aproveitou a oportunidade para enfatizar que a decisão de bloquear os migrantes foi tomada coletivamente, pois era a linha adotada pelo governo e apoiada pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte.

Para Conte, que desde agosto lidera um Executivo formado pelo Partido Democrata e o M5E, essa versão não corresponde à verdade.

Em junho de 2019, após um ano no poder, Salvini fortaleceu seus poderes após obter a aprovação de uma lei que o autorizava a limitar e até a impedir o trânsito de embarcações em águas italianas.

Em agosto de 2019, pouco antes da crise do governo, ele bloqueou o navio humanitário "Open Arms" durante dias, em frente à ilha siciliana de Lampedusa.

No próximo 27 de fevereiro, uma comissão do Senado também deverá decidir sobre a abertura de um julgamento nesse caso.

Se aprovarem a autorização, o ex-ministro será julgado por um tribunal especial composto por três magistrados reconhecidos. Provavelmente terá de esperar anos, dada a lentidão da Justiça italiana e as possibilidades de recurso.


AFP



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