Meio Ambiente

14/02/2020 | domtotal.com

Antártica registra temperatura recorde acima dos 20 graus, revela cientista brasileiro

Pesquisador ressalta que 'nunca foi visto na Antártida um registro desse', feito em uma estação de monitoramento na ilha, situada na Península Antártica

A Antártica registrou neste mês temperaturas superiores aos 20º C, algo
A Antártica registrou neste mês temperaturas superiores aos 20º C, algo "nunca visto", segundo o cientista brasileiro Carlos Schaeffer (AFP/Arquivos)

A Antártica registrou neste mês temperaturas superiores aos 20 graus, algo "nunca visto", informou nesta quinta-feira (13) o cientista brasileiro Carlos Schaeffer, que fez as medições na Ilha Marambio (Seymour Island).

A temperatura registrada em 9 de fevereiro foi de 20,75 graus, acrescentou Schaeffer, esclarecendo que se trata de um dado de pesquisa, que "não parece antecipar mudanças climáticas". "É apenas um sinal de que alguma coisa diferente está acontecendo nessa área", disse o pesquisador, especializado em permafrost (solos congelados), em conversa por WhatsApp.

O recorde anterior havia acabado de ser batido, três dias antes, quando pesquisadores argentinos detectaram a temperatura de 18,3 graus na base Esperanza, também na Península Antártica. Antes disso, o dia mais quente tinha sido 24 de março de 2015, com 17,5 graus, de acordo o Serviço Nacional Meteorológico da Argentina.

Mas, Schaeffer ressaltou que "nunca foi visto na Antártida um registro desse", feito em uma estação de monitoramento na ilha, situada na Península Antártica.

Após uma década com temperaturas recorde, que terminou com um 2019 considerado o segundo ano mais quente já registrado, a década de 2020 já se iniciou mantendo a tendência.

Em janeiro passado, a temperatura média do globo terrestre superou em 0,03 grau a de janeiro de 2016, até então o janeiro mais quente já registrado, e foi 0,77 grau mais quente que a média para o primeiro mês do ano no período de referência 1981-2010, segundo o serviço europeu sobre mudanças climáticas Copernicus.

Aquecimento global?

O projeto, ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, conta com 23 estações meteorológicas em vários pontos do continente, em um raio de 1,5 mil quilômetros. A Base de Marambio fica relativamente próxima da Esperanza e da Estação Antártica Comandante Ferraz, do Brasil, recém-inaugurada. Lá, no mesmo dia, a máxima foi de 17 graus.

Apesar de ainda ser cedo para associar essa anomalia às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, o registro chama a atenção dentro de um histórico de temperaturas mais altas.

"O que temos é um registro meteorológico, que ocorre num espaço de curta duração, mas eles podem ser parte de um sinal de uma tendência que vai se propagar no longo prazo. A mudança climática implica em uma evolução no tempo. Mas é um marco. Pela primeira vez se registram mais de 20 graus. Pode ser sinal de alguma perturbação no sistema que vai levar a um novo patamar que a gente não sabe ainda qual vai ser", afirma Schaeffer.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) havia informado na semana passada, quando foram anunciados os dados da Esperanza, que um comitê vai verificar a medição para estabelecer se de fato trata-se de um recorde. Em geral, somente as estações com longo período de medição e que fazem parte da rede da OMM entram no registro oficial. A base brasileira é mais recente, tem somente 10 anos de série histórica, então poderá não ter o dado registrado oficialmente.

Segundo a OMM, a Península Artártica - ponta noroeste do continente mais próxima da América do Sul - está entre as regiões do planeta que estão se aquecendo mais rapidamente. Já foram 3 graus nos últimos 50 anos. Na região, a quantidade de gelo perdida anualmente pela camada de gelo cresceu na ordem de seis vezes entre 1979 e 2017. Cerca de 87% das geleiras (corredeiras de gelo que deslizam do interior do continente para o mar) ao longo da costa oeste da península recuaram nos últimos 50 anos. Em algumas deles, esse recuo foi acelerado nos últimos 12 anos.

Imagens de satélite mostraram rachaduras crescendo rapidamente nos últimos dias na geleira da Ilha Pine. Segundo a OMM, esta é uma das principais artérias da camada de gelo da Antártida Ocidental. Duas grandes fendas foram identificadas pela primeira vez no início de 2019 e cresceram rapidamente para aproximadamente 20 quilômetros de comprimento.


AFP e Agência Estado



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