Brasil Política

16/02/2020 | domtotal.com

Bolsonaro sobe o tom após governador citar amizade dele com ex-PM

Sem provas, presidente fala em queima de arquivo e diz que PM da Bahia matou o capitão

'Não tem nenhuma sentença julgada condenando o capitão Adriano por nada, sem querer defende-lo'
'Não tem nenhuma sentença julgada condenando o capitão Adriano por nada, sem querer defende-lo' (Montagem com fotos de divulgação)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, emitiu uma nota oficial na noite desse sábado (15) e subiu o tom nos ataques contra o governador da Bahia, Rui Costa (PT), no episódio que envolve a morte de Adriano da Nóbrega pela polícia militar baiana. Mais cedo, nas redes sociais, Rui Costa criticou os laços de amizade entre o líder miliciano e o presidente, que havia dito antes que "quem matou Adriano foi a polícia do PT".

Na nota, o presidente da República diz que "Rui Costa não só mantém fortíssimos laços de amizade com bandidos condenados em segunda instância, como também lhes presta homenagens".

Bolsonaro se refere à visita que o governador baiano fez, em junho de 2019, ao ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, quando o petista estava preso em Curitiba.

De acordo com a nota da Presidência, a Polícia Militar da Bahia "não preservou a vida de um foragido, e sim sua provável execução sumária, como apontam peritos consultados pela revista Veja". "É um caso semelhante à queima de arquivo do ex-prefeito Celso Daniel (assassinado em 2002), onde seu partido, o PT, nunca se preocupou em elucidá-lo, muito pelo contrário." Apesar acusações feito por Bolsonaro, o ex-pm estava escondido em uma fazenda que pertence a vereador do PSL, partido que elegeu Bolsonaro.

Rui Costa (PT), disse, por meio de sua conta no Twitter, que o governo baiano "não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça". Na rede social, o governador disse também que o Estado "não vai tolerar nunca milícias nem bandidagem" e que policiais têm direito de salvar suas próprias vidas quando atacados, "mesmo que os marginais tenham laços de amizade com a Presidência".

Homenagem

Mais cedo, Bolsonaro já tinha, sem apresentar qualquer prova, tentando ligar o governador da Bahia ao caso do ex-PM

“Quem foi responsável pela morte do capitão Adriano foi a PM da Bahia do PT. Precisa dizer mais alguma coisa?”, disse o presidente, após inaugurar nova alça de acesso entre a Linha Vermelha e a Ponte Rio Niterói , no Rio de Janeiro.

A ex-mulher de Adriano, Danielle Mendonça, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, foram assessoras de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, no Legislativo fluminense. As duas estão entre os investigados pelo Ministério Público no suposto esquema de “rachadinha” (devolução de salários ao parlamentar) que teria funcionado no gabinete do parlamentar. Então deputado estadual, hoje senador, Flavio afirmou que o ex-PM foi torturado. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia repudiou as acusações.

Em 2005, Adriano, que estava preso e enfrentava um processo por homicídio, foi agraciado com a Medalha Tiradentes, mas alta condecoração da Assembleia Legislativa, a pedido de Flavio. Bolsonaro chamou o filho para esclarecer essa homenagem. "Isso tem 15 anos", disse Flávio. Ele lembrou que fez questão de pedir para não cremarem o corpo de Adriano (manifestou-se pelo Twitter, quando a Justiça já tinha proibido a cremação), já que "pelo que soube e como mostrou a revista Veja, ele foi torturado.”

“Para falar o quê? Com certeza não é pra falar sobre nós, porque não tem o que falar contra nós, não temos envolvimento nenhum com milícia", disse Flavio bem exaltado.

O presidente disse que foi ele que pediu ao filho que homenageasse o ex-oficial do Batalhão de Operações Especiais. “Não tem nenhuma sentença julgada condenando o capitão Adriano por nada, sem querer defende-lo", prosseguiu Jair Bolsonaro.

A ex-mulher e a mãe de Adriano foram nomeadas no gabinete por indicação de Fabrício Queiroz, investigado por supostamente operar o esquema de “rachadinha”. Bolsonaro e o filho encerraram a entrevista quando lhe perguntaram por que as duas foram contratadas. Seguiram para um evento evangélico do pastor RR Soares, na Enseada de Botafogo, zona sul do Rio.

O Escritório do Crime foi investigado nas operações Os Intocáveis e Os Intocáveis II. Explora grilagem, comete extorsões e comete assassinatos por encomendas. Ronnie Lessa, preso sob acusação de matar a vereador Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, é ligado a essa milícia.

Procurada para comentar as declarações, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia afirmou que a polícia agiu dentro da legalidade. "A necropsia mostrou que não houve nenhum tipo de tortura e que no confronto Adriano foi atingido por dois disparos", disse a pasta.


Agência Estado/DomTotal

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